Portugal tem défice de 119 mil camas para estudantes, aponta estudo

Procura atinge atualmente os 227 mil estudantes, segundo dados da consultora imobiliária CBRE, mas a capacidade existente responde com apenas cerca de 28 mil camas em residências de estudantes públicas e privadas.

Portugal tem défice de 119 mil camas para estudantes, aponta estudo
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Não é só a oferta de casa para viver que escasseia em Portugal. Quem estuda também não tem oferta adequada à procura de residências para estudantes. Os dados mais recentes do Purpose Built Student Accommodation (PBSA), da consultora imobiliária CBRE revelam um défice de 119 mil camas para estudantes.

A procura atinge atualmente os 227 mil estudantes, mas a capacidade existente responde com apenas cerca de 28 mil camas em residências de estudantes públicas e privadas. Deste número, cerca de 147 mil estudantes nacionais deslocados representam 36% do universo do ensino superior, sendo reforçado por mais de 80 mil estudantes internacionais.

Desde 2019, o segmento de PBSA já captou cerca de 1,2 mil milhões de euros em investimento em Portugal, com 98% de capital internacional, proveniente sobretudo do Canadá, Bélgica e Estados Unidos, com a consultora a apontar a forte atratividade das instituições de ensino superior portuguesas, aliada à segurança e a um custo de vida competitivo, tem consolidado o crescimento do número de alunos a estudar fora do seu concelho ou país de origem.

Até ao próximo ano está previsto chegar ao mercado mais três mil camas, concentradas especialmente em Lisboa e no Porto, mas ainda assim incapaz de corresponder às necessidades da procura estudantil.

As rendas medianas no segmento PBSA situam-se nos 855 euros por mês em Lisboa e 745 euros por mês no Porto, praticando valores substancialmente inferiores aos observados em praças como Londres (2,283 euros), Dublin (1,964 euros), Milão (1.674 euros) ou Madrid (1,332 euros).

Por outro lado, persistem desequilíbrios regionais assinaláveis: cerca de 90% da oferta privada foca-se em Lisboa, Porto e Coimbra, enquanto distritos do interior como Vila Real, Castelo Branco e Évora apresentam taxas de deslocação estudantil superiores a 60%.

Igor Borrego, Head of Capital Markets da CBRE Portugal, refere que o mercado português de alojamento estudantil apresenta fundamentos extremamente sólidos e um potencial de valorização a longo prazo.

“O desequilíbrio acentuado entre uma procura crescente, alavancada por 80 mil estudantes internacionais, e uma oferta estruturalmente escassa torna Portugal um dos destinos mais atrativos para o capital institucional na Europa. Os 1,2 mil milhões de euros investidos desde 2019 demonstram a enorme confiança dos investidores internacionais e o dinamismo e maturidade do nosso setor”, afirma.

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