Portugal é o 29º país menos corrupto do mundo e está prestes a dar mais um empurrão no combate a este flagelo. Apesar de ter descido uma posição no ranking dos 176 países sobre os níveis de corrupção no setor público, elaborado pela Transparência Internacional, Portugal prepara-se a passos largos para a nova diretiva 2015/849 para prevenir a utilização do sistema financeiro na lavagem de dinheiro.
O princípio de que as contas e objetivos das empresas têm de ser cristalinos no interior dela, bem como em todas as partes envolvidas no negócio, deve ser inserido na cultura da empresas e na educação dos trabalhadores, o que levou a Abreu Advogados a reunir peritos de Portugal, do Reino Unido e do Brasil para analisar as tendências de transparência empresarial.
Prevenção do branqueamento de capitais, corrupção no desporto e nas entidades públicas e privadas e responsabilidade criminal das pessoas coletivas, tendo por base o caso da Rolls Royce, foram temas em debate na conferência “Compliance: por mares nunca dantes navegados”, na Fundação Calouste Gulbenkian.
“Acho que o Reino Unido e a Escandinávia têm feito um bom trabalho em compliance e as perceções sobre corrupção nos diferentes países têm vindo a confirmar isso. Acho que é um sistema a nível mundial e cada vez mais organizações se estão a começar a preocupar com o tema, onde quer que estejam”, afirma o advogado britânico Jonathan Armstrong ao Jornal Económico.
A Índia é outro dos bons alunos, com um nível mediano no ranking da corrupção (79º), mas com um grande número de empresas dispostas a enfrentar o problema. Para o partner da Cordery Compliance, não se pode simplesmente aplicar um regulamento, há que acreditar nele. “Não se circunscreve a formar as equipas em termos legislativos mas fazê-los perceber o que é certo ou errado. O CEO tem de se consciencializar de que pretende lucrar sem qualquer tipo de suborno e transmitir essas ideias para os funcionários com quem trabalha”, esclarece o especialista em tecnologia.
Jonathan considera que não há nenhuma empresa com uma reputação tão desmedida ao ponto de as pessoas esquecerem as polémicas em torno dela, sobretudo aquelas que procuram fazer negócios com entidades estatais. “O governo é muito mais cauteloso e sê-lo-á ainda mais se a firma tiver historial de corrupção”, sublinha Jonathan Armstrong.
No encontro da Abreu, os oradores frisaram a importância de ter atenção à mensagem que se passa aos empregados e à maneira como são recompensados. A Rolls Royce é uma das empresas de onde Portugal pode tirar apontamentos, depois do escândalo de subornos transnacional em que esteve envolvida e que levou ao pagamento de 671 milhões de libras (760 milhões de euros) para evitar processos judiciais.
Para o advogado britânico, pode reter-se dicas com o exemplo da fabricante automóvel, como “o compromisso que muitas empresas devem ter de supervisionar também aqueles que estão a fazer negócios com eles”. “Se a firma tem intermediários em África então tem de garantir que eles também foram devidamente formados sobre a política da empresa”, diz.