“Portugal não se quer tornar um parque de centro de dados”, avisa ministro Gonçalo Matias

Apesar de saber que Portugal é um país com condições atrativas para centros de dados, o ministro Adjunto e da Reforma do Estado refere que não se deve tornar em nenhum "parque", é preciso que as empresas que vêm para cá tragam crescimento para o país.

“Portugal não se quer tornar um parque de centro de dados”, avisa ministro Gonçalo Matias
O ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, intervém durante a conferência de imprensa após a reunião do Conselho de Ministros, no Campus XXI, em Lisboa, 9 de abril de 2026. MIGUEL A. LOPES/LUSA

Gonçalo Saraiva Matias, ministro Adjunto e da Reforma do Estado, considera que o nosso país tem vários fatores de atratividade para a tecnologia, nomeadamente na educação, nas renováveis- com preço competitivo na energia-, e na proximidade aos cabos submarinos. “É claramente uma vantagem para o nosso país”, contudo, o governante também sublinhou que “Portugal não se quer tornar um parque de centro de dados”.

“Portugal não se quer tornar um local onde estas empresas pudessem vir tentar o seu negócio, Portugal quer estes projetos sejam projetos ganhadores, criem emprego, trabalhem em conjunto com as comunidades locais, e contribuam para o crescimento do país. Esta é uma área de futuro, que pode transformar, económica e socialmente, o nosso país”, declarou no evento da Amazon Web Services (AWS), que decorreu esta segunda-feira, 20.

Durante a sua intervenção o ministro sublinhou a importância estratégica que a tecnologia e a inteligência artificial (IA) têm no nosso país, referindo que a tecnologia tem “um potencial enorme para ajudar na reforma no nosso país”. A reforma consiste na simplificação, que engloba “redesenhar os processos, torna-los mais simples, mais modernos, mais preparados para o digital”, e na interoperabilidade, que é “fundamental na administração pública”.

“Não tenham dúvidas que a digitalização introduz uma revolução no nosso modo de operar, no setor privado e público”, referiu.

“A tecnologia vai trazer-nos a capacidade de melhorar significativamente os nossos serviços públicos, e esse é o grande objetivo da reforma do Estado. É permitir que atraia investimento estrangeiro, tornar os nossos serviços, serviços de mais qualidade”, garantiu, salientando que “nós temos sorte, porque estamos a viver um momento em que a tecnologia nos dá uma capacidade de intervenção que antes não havia, quem está hoje a liderar organizações tem uma obrigação de olhar para a tecnologia e tirar o melhor partido dela, porque se não o fizer está a causar um dano à sua organização e às pessoas que está a servir”.

O país tem tido uma forte aposta neste setor, com a aprovação de vários projetos que ajudam as empresas a aceder a tecnologia, melhorar os seus processos e aumentar a sua capacidade de decisão. Contudo, o ministro salientou que “a tecnologia não vai substituir o humano, vai dar um apoio enorme ao humano”.

O governante avançou que o Governo está a aprovar o plano nacional da cloud soberana, “que permite uma transformação tecnológica”. “A soberania protege-se com resiliência. A soberania digital não é excesso de regulação, não é erguer muros e tornar a Europa num deserto digital, consiste em trabalhar com os outros, em trazer para a Europa a melhor tecnologia. É por termos as melhores empresas e a melhor tecnologia que a Europa será soberana” afirmou, salientando que “não ignoramos os riscos, mas mais uma vez o que resolve esses riscos é a tecnologia”.

Durante a sua intervenção, o ministro confirmou a candidatura conjunta com Espanha para uma das cinco gigafábricas de IA da Comissão Europeia, referindo que prevê “metade em Portugal e metade em Espanha”, com Sines a ser a localização principal. Segundo o governante esta candidatura, que é de “igual para igual”, vai permitir “ganhar escala, sem preocupações com as quintinhas e os territórios de cada um”.

Gonçalo Saraiva Matias finalizou a sua intervenção com um apelo às empresas tecnológicas, para que ajudem o Governo na sua transição e na sua reforma. “Contem com o governo para ajudar as empresas a prosperar tecnologicamente no nosso país, e peço-vos ajuda no nosso projeto para que possamos ter um país muito mais prospero, mais próximo dos nossos cidadãos”, declarou.

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