Os passageiros europeus perderam cerca de sete milhões de horas em atrasos aéreos ao longo de 2025, num ano marcado por forte pressão sobre a operação aeroportuária. Em Portugal, o cenário foi particularmente expressivo: cerca de 36% dos viajantes foram afetados por cancelamentos ou atrasos, colocando o país no topo da lista europeia em termos de impacto.
Com a intensificação das viagens durante os meses de verão, multiplicam-se também os constrangimentos nos aeroportos — filas mais longas, alterações de última hora e maior incerteza nos horários. Neste contexto, o acesso a informação em tempo real tornou-se um fator decisivo para os passageiros, permitindo antecipar problemas e gerir melhor o tempo.
Dados relativos a 2025 indicam que, em Portugal, quase 81 mil voos sofreram perturbações, num total de 227 mil ligações aéreas. O impacto atingiu mais de 11,6 milhões de passageiros, num universo de cerca de 33 milhões de viajantes. Este cenário tem impulsionado a procura por ferramentas digitais independentes que permitam acompanhar voos e aceder a informação operacional de forma imediata.
Uma dessas soluções é a aplicação da AirHelp, empresa especializada em compensações aéreas, que combina monitorização em tempo real com apoio na gestão de reclamações. A plataforma ultrapassou um milhão de utilizadores no primeiro ano, registando mais de cinco milhões de pesquisas relacionadas com voos, companhias aéreas e aeroportos.
A maioria dos utilizadores (54%) recorre à aplicação para acompanhar os seus próprios voos, sobretudo para antecipar atrasos ou alterações de porta de embarque. Já 46% utiliza a ferramenta para seguir deslocações de familiares ou amigos, uma tendência que se acentua nos períodos de férias.
“Atingir um milhão de utilizadores num único ano mostra que existe uma procura clara por igualdade no acesso à informação”, afirma Tomasz Pawliszyn, CEO da AirHelp. Segundo o responsável, a possibilidade de aceder a dados independentes em tempo real permite aos passageiros planear melhor as viagens e exercer os seus direitos em caso de perturbações.
Entre as funcionalidades disponíveis destaca-se a ferramenta “Onde está o meu avião?”, que permite localizar a aeronave associada a um voo e consultar o histórico das suas operações nas 24 horas anteriores. A informação pode ser determinante para antecipar atrasos ainda antes da chegada ao aeroporto.
A aplicação inclui ainda um sistema que analisa viagens passadas e identifica situações elegíveis para compensação, até três anos após a ocorrência. Ao integrar monitorização, alertas e gestão de reclamações, a plataforma acompanha o passageiro ao longo de toda a experiência de viagem.
A análise dos dados de utilização revela ainda que Espanha, Itália, França, Reino Unido e Alemanha concentram a maior base de utilizadores. Na Europa, a Ryanair é a companhia aérea mais monitorizada, enquanto em Portugal a TAP lidera as pesquisas, seguida da transportadora irlandesa. Entre os aeroportos mais consultados pelos portugueses destacam-se Lisboa, Porto, Madeira e São Miguel, sendo Madrid o principal destino internacional monitorizado.
Num verão de elevada procura e operação sob pressão, a informação tornou-se um ativo essencial — e, para muitos passageiros, a melhor forma de evitar que o tempo perdido em atrasos continue a crescer.