As empresas de alguns dos 27 Estados-membros da União Europeia, entre os quais não está Portugal, podem candidatar-se a novos apoios à digitalização do sector energético, no âmbito do projeto InterConnect, liderado pelo Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC).
Até à próxima segunda-feira, dia 26 de junho às 16h00, as organizações europeias têm a hipótese de inscrever-se para receber financiamento para desenvolverem e implementarem aplicações tecnológicas para tentar mitigar o impacto da crise energética. Porém, como Portugal, os Países Baixos, a Itália e a Grécia já têm demonstradores em funcionamento neste projeto europeu, foram automaticamente excluídos desta chamada.
Apesar disso, se as outras empresas estrangeiras elegíveis ganharem, podem propor a operacionalização de demonstradores noutros países, como por exemplo instalar essa tecnologia em território luso, neerlandês, italiano ou grego. O montante disponível é de cerca de um milhão de euros e destina-se a startups, pequenas e médias empresas (PME) e de grande dimensão, sendo que cada uma só poderá receber no máximo 100 mil euros.
O programa com 50 parceiros de onze países “tem como objetivo desenvolver e implementar aplicações energéticas que possam ajudar a mitigar o impacto da atual crise energética, aumentando a estabilidade da rede, reduzindo as emissões de gases com efeito de estufa e os custos energéticos para os consumidores, através do Quadro Europeu Comum de Referência para a Energia”, lembra o INESC TEC.
“Os participantes da call irão desenvolver uma Aplicação Energética que irá recorrer aos módulos de interoperabilidade semântica desenvolvidos no âmbito do InterConnect, de forma a interpretar sinais de operadores de redes elétricas e informar os consumidores sobre a melhor altura do dia para utilizar os respetivos eletrodomésticos e sistemas”, afirmou David Rua, coordenador do projeto e investigador do INESC TEC.
O processo de seleção divide-se em duas etapas: primeiro, até dez projetos serão escolhidos para desenvolver um Plano de Especificação e Desenvolvimento num mês e, depois, até sete poderão integrar, implementar e testar as suas aplicações de energia. “Esta é uma oportunidade para as empresas se dedicarem a um domínio com alta visibilidade, propondo aplicações e criando modelos de negócios baseados na participação dos consumidores, contribuindo ativamente para a resiliência da rede”, diz David Rua.