Nuno Pereira, CEO da startup portuguesa Paynest, considera que “Portugal está muito bem posicionado para ser um hub de fintechs”. O “talento”, a “tecnologia” e o acesso ao “financiamento”, listou, constroem esse perfil.
Numa entrevista ao Jornal Económico (JE) à margem da participação da empresa na final do Mastercard For Fintechs Iberia 2025, o cofundador da plataforma integrada de gestão financeira falou com otimismo sobre o percurso que a tecnologia financeira nacional tem percorrido.
Segundo Nuno Pereira, o ecossistema português oferece, além de “talento muito bom”, “uma postura muito internacional”. “E financiamento. Há financiamento para ser um hub de fintech”, acrescentou, afastando o capital estrangeiro como fonte única de captação de recursos.
Com escritórios em Portugal e Espanha, a própria equipa de 15 pessoas da Paynest combina três nacionalidades. Para o cofundador da Paynest, que viveu e trabalhou em oito países de vários continentes antes de regressar a Portugal, altura em que criou a fintech, a partilha e exposição a toda essa diversidade “é a chave para este ecossistema”. “Depois consegue-se criar coisas muito diferentes. E criar para o mundo”.
“Para o nosso tamanho de mercado, acho que é impressionante a qualidade de fintechs que existe em Portugal”, continuou Nuno Pereira, apontando para a maturidade do panorama fintech português. E os números evidenciam-no. De acordo com o ‘Portugal Fintech Report 2025’, o montante total de financiamento ultrapassou os 1,1 mil milhões de euros até 2025.
Criada em 2022, a Paynest, uma plataforma integrada de gestão de pagamentos a colaboradores e fornecedores, angariou até ao momento três milhões de euros no mercado, tendo levantado dois milhões de euros em investimento seed logo no primeiro ano de atividade. E prepara-se para anunciar um financiamento Serie A.
A plataforma apresenta-se como uma ferramenta para equipas financeiras que centraliza as despesas de funcionários, faturas de fornecedores e faturação a clientes, num investimento em eficiência que permite aos líderes empresariais e respetivas equipas “pouparem muito tempo a validar processos que são críticos“, explica Nuno Pereira. Entre as valências da plataforma está, também, a deteção de fraude através de inteligência artificial (IA).
Questionado sobre um cenário de saturação no mundo fintech, a resposta foi redonda: “as fintechs neste momento representam cerca de 1/2% do mercado de banca do mundo. Há muito caminho e não há saturação de todo. Acho que há muito para fazer”. “Estamos a competir com soluções mais tradicionais, de bancos ou outras”, explicou o CEO da Paynest.
A fintech portuguesa conta com várias centenas de empresas de vários setores como clientes, entre as quais os CTT, Fidelidade, CCA, Grupo Sotecnisol, Medialivre, Clínica Santa Madalena e Clan, e a meta para este ano está traçada: fechar 2026 com cerca de 500 clientes. No final de 2025, a Paynest cresceu três vezes em número de clientes.