Portugal acelera na adoção da IA: 84% dos trabalhadores já recorrem à tecnologia no emprego

Estudo da Cegid revela um crescimento expressivo da utilização da IA nas empresas portuguesas, com a confiança dos profissionais a aumentar e a integração nas organizações ainda longe do potencial máximo.

Portugal acelera na adoção da IA: 84% dos trabalhadores já recorrem à tecnologia no emprego
Inteligencia Artificial (1)

A inteligência artificial (IA) está cada vez mais presente no quotidiano profissional em Portugal. De acordo com a primeira parte do estudo “O momento da verdade da IA nas empresas”, divulgado esta terça-feira, 26 de agosto pela Cegid e conduzido pela OpinionWay junto de mais de 2.000 profissionais em Portugal, Espanha, França e Alemanha, 84% dos trabalhadores portugueses já utilizam ferramentas de IA no contexto profissional, um aumento de 19 pontos percentuais face aos 65% registados em 2025. O valor coloca Portugal acima de mercados como Espanha, França e Alemanha.

O estudo demonstra que a utilização da IA deixou de estar limitada a tarefas de produtividade e passou a desempenhar um papel mais estratégico nas organizações. Atualmente, 44% dos trabalhadores portugueses afirmam recorrer frequentemente ou de forma sistemática à inteligência artificial para apoiar decisões importantes no trabalho.

Entre os jovens dos 18 aos 29 anos, esta percentagem sobe para 57%, refletindo uma maior confiança das gerações mais novas na tecnologia. A Administração Pública destaca-se como o setor onde a utilização é mais frequente, com 53% dos trabalhadores a recorrer regularmente à IA, superando os restantes setores analisados.

Cresce a utilização de ferramentas externas

Apesar da crescente adoção, o estudo identifica também desafios relacionados com a utilização destas tecnologias fora dos canais oficiais das empresas.

Segundo os dados, 69% dos trabalhadores portugueses utilizam ferramentas de inteligência artificial externas à organização sem informar o empregador, uma realidade que reforça a necessidade de criação de políticas internas que garantam uma utilização segura e responsável destas soluções.

A Administração Pública volta a destacar-se, desta vez pelo maior recurso a ferramentas externas, com 77% dos trabalhadores a admitirem essa prática. No extremo oposto surge o setor do Comércio, onde a percentagem desce para 63%.

Integração nas empresas ainda tem margem para crescer

Embora a utilização individual esteja já bastante disseminada, a integração da inteligência artificial nas organizações continua a evoluir de forma gradual.

O estudo indica que 41% dos trabalhadores portugueses reconhecem que a IA já está integrada, total ou parcialmente, na atividade diária da empresa onde trabalham. No entanto, apenas 6% consideram que essa integração é total, revelando que a maioria das organizações ainda se encontra numa fase intermédia de adoção.

Para Paulo Carvalho, General Manager da Cegid Portugal & África, o principal desafio passa agora por transformar a utilização individual numa verdadeira estratégia empresarial. “Os resultados mostram que a inteligência artificial é já uma realidade e está a consolidar-se como uma ferramenta de trabalho indispensável para os profissionais portugueses.

O desafio passa por reduzir a distância entre a utilização individual e a integração da IA nas organizações. Quem tomar a iniciativa de adotar estas ferramentas mais rapidamente e introduzi-las ao serviço dos seus colaboradores serão as empresas mais competitivas nos próximos anos.”

Confiança dos portugueses na IA continua a aumentar

Além do crescimento na utilização, o estudo evidencia uma mudança significativa na forma como os trabalhadores encaram a inteligência artificial.

Em 2026, 76% dos portugueses manifestam sentimentos positivos relativamente à utilização da IA no trabalho, mais 17 pontos percentuais do que em 2025, quando esse valor se situava nos 59%.

Entre os profissionais dos 18 aos 29 anos, a perceção positiva atinge os 86%, confirmando uma aceitação ainda maior entre as gerações mais jovens.

Os sentimentos mais frequentemente associados à inteligência artificial são a curiosidade (48%), a confiança (28%) e o entusiasmo (25%). Em contrapartida, a preocupação diminuiu de 28% para 23%, refletindo uma maior familiaridade com estas ferramentas.

Para a Cegid, os resultados demonstram que o fator diferenciador deixará de ser o acesso à tecnologia, passando antes pela capacidade das organizações para integrar a inteligência artificial nos seus processos, desenvolver competências internas e promover uma utilização responsável que permita ganhos sustentáveis em produtividade, competitividade e inovação.

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