A economia da zona euro deverá ter recuado no terceiro trimestre, de acordo com os dados confirmados esta quarta-feira do índice de gestores de compras (PMI) na moeda única. O indicador até subiu marginalmente em comparação com o mês anterior, mas permanece em terreno bastante negativo com o abrandamento mais claro da procura em quase três anos.
O PMI composto da zona euro subiu para 47,2 em setembro, ou seja, 0,1 pontos acima da estimativa rápida e 0,5 pontos mais do que no mês anterior, quando bateu mínimos de 33 meses com 46,7. Apesar da melhoria, foi a quarta leitura consecutiva abaixo de 50, o que reflete uma expectativa de contração da atividade.
Assim sendo, torna-se muito complicado ao bloco europeu evitar uma recessão neste terceiro trimestre, projetam os analistas. A indústria já há largos meses dava claros sinais de problemas e tendência de queda da atividade, um cenário que agora se transmite também ao sector terciário.
O subíndice referente aos serviços também subiu ligeiramente em setembro, passando de 47,9 para 48,7 (uma revisão em alta em relação aos 48,4 da estimativa rápida). Foi a segunda leitura consecutiva em terreno de recessão.
“O PMI composto da zona euro até subiu um bocadinho, mas não conseguimos juntarmo-nos ao ‘comboio da esperança’. A culpa é das novas empresas, que estão em queda livre, sobretudo na Alemanha e em França”, argumenta Cyrus de la Rubia, economista chefe do HCOB, referindo-se ao ritmo de criação de empresas, uma medida da procura na zona euro.
Uma das grandes responsáveis por esta situação é precisamente a procura por bens e serviços europeus. Na realidade, setembro mostrou o recuo mais expressivo da procura desde novembro de 2020, o que mostra bem o esmagamento do rendimento disponível nos principais compradores à zona euro, nomeadamente EUA e China. Não é de estranhar, portanto, que o produto tenha recuado em ambos os sectores, apenas a segunda vez este ano em que tal cenário se verificou.
Em linha com esta situação, o volume de encomendas em carteira diminuiu, à medida que as empresas europeias conseguiram ir processando pedidos mais antigos de clientes. Do lado dos preços, os custos intermédios voltaram a acelerar, registando um máximo de quatro meses; ainda assim, o ritmo de subida de preços de venda é o mais fraco desde fevereiro de 2021 e resulta exclusivamente de pressões do lado dos serviços.
Por país, Irlanda e Espanha destacam-se por conseguirem ficar acima de 50 no índice composto, embora no caso espanhol os 50,1 não permitam falar numa verdadeira trajetória de expansão da economia. Em sentido inverso, França regista mínimos de 34 meses com 44,1, enquanto a Alemanha fica ligeiramente acima, com 46,4.