Pior apagão europeu em 20 anos destruiu plano de defesa de Portugal

Apesar dos planos de defesa de Portugal e Espanha, o primeiro 'blackout' da história devido a voltagem elevada destruiu tudo à sua volta, deixando a Ibéria às escuras. Relatório defendeu controlo de voltagem para evitar repetição. Peritos europeus vão avaliar "performance do plano de defesa e possíveis melhorias".

Pior apagão europeu em 20 anos destruiu plano de defesa de Portugal
Um passageiro apanha um autocarro no Campo Grande às escuras devido ao apagão que afeta Portugal de Norte a Sul e outros países europeus, em Lisboa, 28 de abril de 2025. O Governo criou um grupo de trabalho para acompanhar o apagão que afeta Portugal de Norte a Sul e outros países europeus e aponta que o problema “terá tido origem” fora de Portugal. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Foi o pior apagão europeu em 20 anos e destruiu os planos de defesa da rede elétrica em Espanha e Portugal. Foi causado por voltagem elevada, sendo o primeiro apagão deste tipo, pois são normalmente causados por voltagem baixa.

“Uma cascata de voltagem elevada”, foi assim que o evento foi qualificado por um dos peritos europeus.

Klaus Kaschnitz destacou que foi o “blackout mais severo na Europa nos últimos 20 anos e o primeiro deste tipo. Nunca aconteceu na Europa, não encontramos nenhuma menção deste tipo”, provocado por alta voltagem. “Este é um novo território, precisamos de tempo”.

Em menos de 2 minutos, o apagão espalhou-se a toda a Espanha e depois a Portugal. “Os planos de defesa foram incapazes de o travar devido à cascata de alta voltagem. Só foi possível parar na fronteira com França e impedir de se espalhar ao resto da Europa”, explicou Damian Cortinas, presidente do conselho dos operadores de sistema de transporte (ENTSO-E).

Quais os próximos passos a dar? Os peritos vão proceder à análise da “performance do plano de defesa e possíveis melhorias”.

Mais. Avaliar os instrumentos de gestão de voltagem disponíveis; analisar os vários passos da fase de restauração; avaliação do comportamento dos utilizadores da rede no controlo de voltagem.

A recuperação foi feita com a ajuda de França e de Marrocos que começaram a injetar eletricidade na rede espanhola, com Portugal a ter de arrancar sozinho inicialmente com duas centrais com mecanismo de black-start e depois com a ajuda de Espanha.

As energias renováveis tiveram impacto? Não, segundo o relatório preliminar da ENTSO-E (o final será apresentado no primeiro trimestre do próximo ano).

“A questão não é serem renováveis. Precisamos de ter controlo de voltagem na produção, tanto nas renováveis como na produção clássica. Não é uma tecnologia complicada. Vamos exigir mudanças na regulação. A produção não tem requerimentos para controlo de voltagem, quer seja renovável ou não. É mais uma questão de tamanho da produção”, segundo Damian Cortinas que explicou que a voltagem tem uma “magnitude local, não viaja”.

Por isso, a ENTSO-E vai “exigir mudanças na regulação” para instalar controlos de voltagem no sistema.

Sobre quem tem a culpa, o responsável considera que o “importante é impedir acontecimentos destes no futuro, não é quem tem a culpa”.

Já Klaus Schnitz destacou que os “apagões acontecem normalmente com voltagem baixa, com voltagem alta é algo novo que nunca aconteceu. Isto precisa de ser resolvido localmente, perto do local onde acontece.

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