PIB português pode crescer até 2,3% em 2026 (mas existem riscos), estima Fórum da Competitividade

A análise do "think tank" nacional alerta para os problemas que poderão advir dos conflitos internacionais e da incerteza trazida pela Inteligência Artificial. Desempenho do PIB em 2026 pode trazer um crescimento até 2,3%, impulsionado pela reta final do PRR.

PIB português pode crescer até 2,3% em 2026 (mas existem riscos), estima Fórum da Competitividade
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A reta final da execução do Plano de Recuperação e Resiliência deverá beneficiar o crescimento do PIB português este ano para valores compreendidos entre 2,0% e 2,3%, de acordo com a estimativa do Fórum da Competitividade conhecida esta terça-feira.

Segundo o relatório, o clima económico português subiu em dezembro 2025 para o melhor valor desde março de 2019, embora com variações muito diferenciadas por sector.

Para o 4º trimestre de 2025, o Fórum indica que o PIB terá subido entre 0,5% e 0,7% em cadeia, correspondente a uma variação homóloga entre 1,7% e 1,9%, a que corresponde uma variação anual de 1,9%.

A análise sublinha o excedente das contas públicas e a aceleração do Produto Interno Bruto (PIB) impulsionada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) apesar da persistência de problemas estruturais como a baixa produtividade.

Por sua vez, o consumo privado deverá ser suportado pelo crescimento do emprego e pelo aumento dos salários reais. E o mercado de trabalho deverá permanecer estável com a taxa de desemprego “a permanecer estável entre os 6% e os 7%.Contudo, prevê-se um abrandamento no crescimento do emprego devido a alterações na legislação da imigração”, indica a nota que aponta como eventuais riscos. O potencial de crescimento do PIB permanece baixo (cerca de 2%) e a produtividade não tem registado aumentos significativos.

Lá fora, as perspetivas não são as melhores. É esperado que o crescimento da economia dos Estados Unidos da América (EUA) caia de 2,0% para 1,7%. E no Japão a queda será mais acentuada, de1,3% para 0,9%. Já a Zona Euro tem a previsão de uma ligeira descida, de 1,3% para 1,2%, com a atividade industrial já a dar sinais negativos no final de 2025

Além disso, os riscos externos podem afastar o cenário positivos – da incerteza geopolítica (Venezuela, Ucrânia), à crise política em França e a possibilidade de uma bolha especulativa na Inteligência Artificial.

Abrir a “caixa de Pandora”

A nota de conjuntura alerta que a intervenção dos Estados Unidos da América (EUA) na Venezuela “corre o risco de abrir uma caixa de Pandora em termos geopolíticos”, podendo estimular ações equivalentes da Rússia e da China e também de médias potências.

No que respeita à União Europeia, o relatório aponta para uma crise política e orçamental em França, “que dificulta a tomada de decisões essenciais na UE na atual encruzilhada, política, económica e tecnológica”. A forte subida das dívidas públicas (com exceção de Portugal) é indicado como uma ameaça que poderá desencadear “uma crise a médio prazo e a paralisia gaulesa pode ser o gatilho que a desencadeia”.

Uma incerteza chamada IA

A nota de conjunta indica como um dos fatores de risco para 2026 a forte expansão da Inteligência Artificial (IA) com “investimentos extraordinários em chips, centros de dados, e centrais elétricas.  Este mesmo movimento tem-se auto alimentado pelas excecionais valorizações bolsistas, que estimulam a economia norte-americana, onde cerca de três quartos dos cidadãos investem, direta ou indiretamente, nos mercados acionistas”.

“Há cada vez mais avisos de que estamos em presença de uma bolha especulativa na IA, mas só saberemos isso a posteriori. Uma coisa parece certa: se assistirmos a uma “correção” bolsista, é quase certo que ela terá consequências muito mais gravosas do que quando a bolha “dotcom” rebentou, em 2000”, ressalva a nota de dezembro de 2025.

A Nota de Conjuntura, elaborada pelo Fórum para a Competitividade, analisa o estado atual e as projeções para as economias mundial e nacional.

 

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