Pharol admite processar Novo Banco, BES ‘mau’ e Haitong

‘Board’ da Pharol pondera processo contra o Novo Banco, por entender que, enquanto maior accionista, está a contribuir para deterioração da empresa.

Pharol admite processar Novo Banco, BES ‘mau’ e Haitong
Pedro Nunes/Reuters

O conselho de administração da Pharol aprovou há cerca de um mês uma deliberação no sentido de estudar a possibilidade de avançar com um processo judicial contra o Novo Banco, o BES ‘mau’ e o Haitong, na sequência da forte queda das ações da Oi, que perderam metade do seu valor no espaço de doze meses, apurou o Jornal Económico. Esta deliberação surge no seguimento de uma primeira decisão nesse sentido, em 2015, que nunca chegou a avançar, devido à oposição dos administradores indicados pela Ongoing, holding de Nuno Vasconcelos e Rafael Mora, que hoje se encontra insolvente.

Ao que o Jornal Económico apurou, alguns acionistas minoritários da Pharol, como o brasileiro Nelson Tanure, contestam o facto de o Novo Banco não estar disposto a vender a sua participação na Pharol, ao contrário dos compromissos que foram assumidos desde o início do processo de resolução do antigo Banco Espírito Santo, em agosto de 2014. Estes acionistas responsabilizam o banco liderado por António Ramalho pela indefinição em volta da Pharol. A empresa, que é a sucessora jurídica da antiga Portugal Telecom, tem como ativos a participação acionista na brasileira Oi (que neste momento está reduzida a 5% e vale cerca de 58 milhões de euros) e o crédito sobre a Rioforte, antiga holding do Grupo Espírito Santo (GES), no valor de 64 milhões de euros. Este crédito resulta da emissão de papel comercial do GES no valor de 900 milhões de euros que a antiga PT subscreveu antes do colapso do grupo liderado por Ricardo Salgado.

Com a participação na Oi em franca desvalorização e o crédito sobre a massa falida da Rioforte dificilmente recuperável, a Pharol corre o risco de deixar de ter ativos que justifiquem a sua manutenção no índice PSI20. Já os processos contra o BES ‘mau’ e o Haitong, antigo BES Investimento (que assessorou a emissão da Rioforte), devem-se ao papel destas entidades neste investimento que causou o colapso da antiga PT.

Relacionado

Covid-19: Somos todos Itália

Covid-19: Somos todos Itália

O coronavírus é um enorme desafio para a União Europeia: será capaz de manter a coesão num cenário de catástrofe? Ocaso de Itália, para já o mais extremo, serve como barómetro, e também como laboratório para os restantes países. As consequências serão, tanto em termos económico como políticos, tremendamente impactantes e absolutamente negativas. O conjunto de países terá de descobrir forma de ultrapassar uma ameaça que nunca antes aconteceu e para a qual não existe ‘jurisprudência’.