Filipe Brás, Partner EY

Perda de crédito esperada, desafios da implementação da IFRS 9

Com a obrigatoriedade de aplicação da IFRS 9 – Instrumentos financeiros, os bancos serão obrigados a estimar as PCE - perdas de crédito esperadas, (“Estimated Credit Losses”) e registá-las nas suas demonstrações financeiras.

Esta é, provavelmente, a mudança mais significativa na história do relato financeiro dos bancos.
Investidores, reguladores, analistas, auditores e clientes seguirão com interesse redobrado esta nova estimativa altamente complexa, motivados pelas mais recentes crises no sistema financeiro global.

Dada a importância dos bancos no mercado de capitais global e da economia em geral, é de importância fundamental que os participantes nos mercados de capitais tenham confiança de que os bancos estão a implementar a IFRS 9 com elevado padrão de qualidade, calculando estimativas em relação às quais os utentes das demonstrações financeiras poderão confiar.
Dos bancos espera-se que projetem e implementem políticas de qualidade, procedimentos, controlos internos, sistemas e modelos capazes de dotar a gestão de capacidade para exercer julgamentos adequados na estimativa das PCE. Estes devem fornecer divulgações transparentes e claras, nas suas demonstrações financeiras que permitam às partes interessadas compreender e avaliar os julgamentos feitos no processo de estimativa de PCE.

Os órgãos de fiscalização também irão desempenhar um papel essencial e único no sentido de garantir que os bancos implementam processos que garantem a elaboração de estimativas de alta qualidade da PCE sob IFRS 9 e que assuntos críticos em relação a essas estimativas são claramente comunicados nas demonstrações financeiras dos bancos. Avaliar a eficácia da resposta do auditor externo aos riscos originados pela estimativa do banco de PCE, é também uma responsabilidade do órgão de fiscalização.

Os auditores têm a responsabilidade de avaliar e desafiar a razoabilidade daquelas estimativas com risco de distorções materiais no contexto das demonstrações financeiras como um todo. Os auditores devem aplicar o ceticismo profissional ao longo da auditoria e, especificamente, devem considerar e avaliar como a gestão mitigou potenciais riscos de influenciar a estimativa e avaliar a transparência e integridade das divulgações da administração.

São portanto, tempos de grandes desafios que se aproximam, a EY tem trabalhado em conjunto com os seus clientes, os quais têm desenvolvido sistemas e dotado os quadros de conhecimentos que permitem uma adoção atempada dos requisitos da IFRS 9.

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