Os ‘baby boomers’ amadureceram…

Até 2020, o poder de compra da população mundial com 65 anos ou mais será 54% maior que o PIB total da América Latina e representará 40% do consumo global.

Os ‘baby boomers’ amadureceram…
Os ‘baby boomers’ amadureceram…

… e são um alvo apetitoso para as marcas, ou não fosse hoje a esperança de vida dos portugueses com 65 anos de sensivelmente mais 20 anos. Ou seja, em média, e com uma qualidade de vida apreciável, irá viver até aos 85 anos. Por outro lado, os baby boomers (segundo Marktest/TGI 2017, indívíduos com mais 58 anos) correspondem actualmente a 25% da população portuguesa, quando em 1960 eram apenas 12%.

Ambas informações, só podem ser boas notícias para as marcas. Até porque os baby boomers podem não ser a geração mais info-incluída, mas contêm em si factores que fazem com que seja muito apetecível para marcas e marketeers. Por exemplo, 15,1% prefere comprar produtos com embalagens feitas de papel reciclado e 11,6% está disposta a pagar mais por alimentos amigos do ambiente. Numa primeira leitura não parece relevante, no entanto a geração millennial, designada por eco-responsável, fica-se apenas pelos 6% e 5,9%, respectivamente.

O potencial dos baby boomers deve ser levado em conta para alterar a imagem típica do envelhecimento. São indivíduos activos, informados, conscientes, com um índice elevado de fidelidade às marcas e maior poder de compra que as restantes gerações. Até 2020, o poder de compra da população mundial com 65 anos ou mais será 54% maior que o PIB total da América Latina e representará 40% do consumo global.

Mais do que as necessidades que surgem com o avançar da idade, que exigem o desenvolvimento de soluções específicas, as marcas devem ter a atenção e a imaginação suficientes para ir para além dos óbvios telefones com ícones e sons adaptados, para ajudar quem sofre de perda de audição ou deterioração da visão. Por exemplo, o mercado automóvel olha neste momento para esta geração com atenção redobrada. A Toyota está a equipar os seus veículos com lasers, câmaras e sensores user-friendly, mas em vez de criar produtos dirigidos apenas a idosos, opta por criar produtos que unam gerações.

No turismo, no segmento e-health ou alojamento age-friendly, existe um mundo de oportunidades para esta geração com mais rendimento disponível, muito tempo livre, com possibilidade de viajar em qualquer época do ano e disposta a expandir o tempo gasto no destino.

A realidade é que produtos e serviços adaptados a esta geração geralmente beneficiam todos. Tomemos, por exemplo, o Amazon Echo, uma inovação tecnológica activada por voz que tem um potencial incrível para ajudar os idosos.

O que é único e sem precedentes é que nenhum país está imune ao envelhecimento da população, e se as marcas querem sobreviver a longo prazo vão ter de abraçar esta realidade para alcançar um mercado inexplorado de adultos mais velhos. A inteligência artificial não se esgota nos robots das fábricas. O seu papel em dispositivos e aplicações que nos vão ajudar a viver mais e melhor é enorme. Nem o sabemos quantificar.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.