João Gonçalves Pereira, Administrador de Empresas

Os avisos de Davos

Para os economistas-chefes reunidos em Davos, devemos esperar uma diminuição da atividade económica e uma inflação mais elevada, com salários reais mais baixos e uma maior insegurança alimentar a nível mundial em 2022.

Esta semana teve lugar mais uma edição anual do Fórum Económico Mundial em Davos, que reúne líderes políticos e económicos de todo o mundo. Desta vez, não faltaram avisos e os temas em discussão tiveram como mote a “História num Ponto de Viragem: Políticas Governamentais e Estratégias Empresariais” salientando a organização que o evento acontece “no momento geopolítico e geoeconómico mais consequente das últimas três décadas e tendo como pano de fundo uma pandemia única num século”.

Ao mesmo tempo, é reconhecido que “a guerra na Ucrânia e a tragédia resultante exigem uma ação moral global” e que “a clareza de visão e a unidade de objetivos serão cruciais para progredir contra a complexidade sem precedentes de um mundo multipolar”. Na verdade, as declarações foram no sentido de reforçar a necessidade de prosseguir a filosofia de ação conjunta que subjaz a este fórum já com mais de 50 anos e que os responsáveis consideram nunca ter sido tão necessária como agora. “O encontro é o ponto de partida para uma nova era de responsabilidade e cooperação global. O momento exige-o”, asseguram os organizadores.

Neste contexto, quem não desperdiçou a oportunidade de apelar ao auxílio por parte dos líderes reunidos em Davos foi o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. E, em resposta a esse apelo, foi muito significativo ver a tradicional neutralidade suíça quebrada quando Ignazio Cassis, Presidente da Suíça, afirmou que a Suíça se opõe vigorosamente à “guerra de agressão na Ucrânia”, considerando que “não pode haver uma atitude neutra perante um ataque brutal aos nossos valores comuns de liberdade e democracia. Estamos ao lado dos outros países na condenação da guerra”. Por seu lado, Klaus Schwab, o fundador e presidente executivo do Fórum Económico Mundial, resumiu bem o que está em causa: “A guerra na Ucrânia representa um ponto de viragem na História e a tragédia resultante irá remodelar a nossa paisagem política e económica nos próximos anos”.

Quem partilhou igualmente de expectativas nada otimistas sobre o curto prazo foram os economistas-chefes reunidos em Davos e que foram alvo de uma sondagem sobre o cenário para este ano. A conclusão foi a de que devemos esperar uma diminuição da atividade económica e uma inflação mais elevada, com salários reais mais baixos e uma maior insegurança alimentar a nível mundial em 2022, apontando para as consequências humanas devastadoras da fragmentação da economia global.

Invertendo as expectativas anteriores de recuperação, a maioria dos inquiridos do último inquérito espera que as escolhas tanto das empresas como dos governos conduzam a uma maior fragmentação na economia global e a “mudanças sem precedentes nas cadeias de abastecimento, criando uma tempestade perfeita de volatilidade e incerteza”. Uma situação que apresentará aos decisores políticos escolhas muito difíceis e a necessidade de compromissos complexos, caso se pretendam evitar ainda mais impactos negativos sobre as famílias e as empresas. Esperemos, para o bem de todos, que as reflexões e avisos saídos de Davos tenham eco ao nível dos governantes das várias nações.

 

Esteve muito bem a presidente madrilena ao anunciar que irá deflacionar a taxa do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares em 2023, algo que o Governo de Sánchez até agora se tem recusado a fazer. Esta medida vem juntar-se à descida de meio ponto percentual já aprovada e que representou uma redução de mais de 300 milhões de euros para 3,3 milhões de contribuintes.

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