Ordem no Caos

Ordem  no Caos
Bruno Padinha Final

Com tantas inovações e disrupções à nossa volta, é natural que os líderes de organizações em todo o mundo considerem que a transformação digital será a sua principal prioridade. No entanto, por ubíquo que esse termo seja hoje em dia, é usado (e abusado) para representar uma variedade muito vasta de conceitos, o que, na prática, quase o esvazia de significado, se não for bem enquadrado.

Sendo pragmáticos, mais do que realizar uma transformação digital de uma organização, para enfrentar os desafios atuais, urge antes transformar os seus fundamentos, para a adequar a um mundo cada vez mais digital.

Ou seja, como sempre, importa ouvir atentamente o cliente e desenhar produtos e serviços que satisfaçam as suas reais necessidades, bem como minimizar obsessivamente a fricção no provisionamento desses produtos, tudo isto repetido num círculo virtuoso.

Na prática, o líder tem de se questionar recorrentemente (e questionar a sua equipa) sobre o papel que a tecnologia pode ter no seu negócio – por exemplo, como podem a inteligência artificial ou a robótica aumentar o serviço aos clientes existentes e abrir novos mercados para explorar. A estratégia tecnológica que daí advém tem de levar em conta que várias velocidades concorrerão, particularmente dependendo da forma como as vagas de conhecimento e de disrupção vão chegando a cada área.

Adicionalmente, a liderança deve estimular a sua organização a procurar ideias fora da zona de conforto, e no seu exterior, o que inúmeras vezes significa entre os seus fornecedores, clientes ou outros parceiros, assim criando ou participando num ecossistema ágil em que a colaboração permite ultrapassar muitos obstáculos.

Finalmente, a mudança mais premente é a das pessoas, sem as quais nenhuma tecnologia nos serviria, e que têm de ser despertadas, sensibilizadas, formadas e adaptadas para enfrentar a mudança como algo pacífico e produtivo. Começando pelo próprio CEO, e atravessando toda a organização, tem de se modelar uma atitude de curiosidade e inquietude que inspire toda a organização para abraçar a mudança em vez de a rejeitar.

A velocidade da mudança não permite complacência. Dizia Jack Welsh, ex-CEO da General Electric que «se a velocidade de mudança interior for menor que a velocidade de mudança exterior, o fim está próximo.»

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