A Bondalti, empresa de produtos químicos que pertence ao grupo José de Mello, informa esta segunda-feira, que a sua Oferta Pública de Aquisição (OPA) à empresa espanhola Ercros vai avançar, uma vez que conta com uma aceitação superior a 50% dos direitos de voto efetivos da Ercros, de acordo com informação da Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) espanhola.
“No que respeita à oferta pública voluntária de aquisição, realizada pelo Oferente para a totalidade das ações da Ercros, autorizada pela Comissão Nacional do Mercado de Valores Mobiliários (CNMV) de Espanha, a 10 de fevereiro de 2026, o Oferente [Bondalti] informa que, após o termo do período de aceitação, de acordo com a informação preliminar prestada pelo Banco Santander, na qualidade de banco agente da Oferta, o nível de aceitação da Oferta ultrapassou os 50% dos direitos de voto efetivos da Ercros”, lê-se no comunicado enviado à CNMV.
Esta marca era a condição mínima e irrevogável definida pela empresa portuguesa para prosseguir com a operação.
A Bondalti manifestou intenção de promover a exclusão das ações da Ercros da bolsa (delisting).
A 5 de março, completaram-se dois anos desde que a Bondalti manifestou interesse na Ercros. A OPA, uma das mais longas de Espanha, foi lançada pela empresa portuguesa em março de 2024.
O objetivo da Bondalti é criar uma empresa ibérica, um gigante ibérico no setor químico, que atue no mercado mundial que nos últimos anos tem sofrido pressão dos preços da energia e do surgimento de grandes empresas de outras geografias.
Estes resultados têm ainda caráter preliminar já que o resultado definitivo e oficial será aquele que a CNMV publicar dentro do prazo previsto, acrescenta a empresa portuguesa.
Recorde-se que o maior acionista individual da Ercros disse na sexta-feira que ia aceitar os 3,505 euros oferecidos pela empresa portuguesa, Víctor Rodríguez Martín é o maior acionista, com 6,28% do capital, seguindo-se o empresário Joan Casas Galofré, com 6,02%.
O Conselho de Administração da Ercros chegou a rejeitar a oferta inicialmente, mas o apoio de acionistas de referência e sindicatos acabou por viabilizar a operação.
O grupo português apresentou uma proposta de aquisição de 3,505 euros por ação, avaliando a empresa em 320 milhões de euros. O valor original de 3,60 euros foi ajustado devido ao pagamento de dividendos pela Ercros.
Agora, na fase final do processo, o presidente da Bondalti, o empresário João de Mello, na entrevista ao La Vanguardia esta segunda-feira e defende que “é uma boa oferta de aquisição para a Bondalti e boa para os acionistas da Ercros, porque vamos pagar um preço que mais ninguém está disposto a pagar. Se o negócio não se concretizar, o preço das ações cairá para menos de dois euros”.
O perito independente nomeado pelo Conselho de Administração da Ercros considerou a oferta justa.
João de Mello ao jornal espanhol diz que a sede da empresa espanhola permanecerá em Barcelona, e assegura que “manteremos as suas fábricas e colaboradores. Não queremos fechar nada; pelo contrário, queremos expandir e criar sinergias”.
“Além disso, adquirir a Bondalti significa ter um proprietário, alguém que seja responsável. Somos um grupo com mais de 150 anos de história”, diz.