A oferta pública de aquisição (OPA) da Visabeira sobre a Martifer foi aprovada em Bruxelas, informa hoje a empresa sediada em Oliveira de Frades, distrito de Viseu.
“Na sequência de processo de consulta jurisdicional, foi notificada nesta data de uma carta da Comissão Europeia que confirma que a operação não constitui uma concentração, pelo que não é notificável ao abrigo do Regulamento de Controlo de Concentrações”, segundo a Martifer.
Mas há mais. A OPA ainda precisa de ser aprovada pela Autoridade Reguladora da Concorrência de Moçambique, processo já iniciado pela Visabeira.
A Visabeira Indústria diz que continuará a “desenvolver os atos necessários à verificação da condição e manterá a Martifer informada”.
A Visabeira já tinha 24% da Martifer depois de ter comprado esta posição em outubro de 2024 aos fundadores da companhia: os irmãos Carlos e Jorge Martins.
Este ano, lançou uma OPA com o objetivo de passar a controlar totalmente a empresa, em conjunto com a Mota-Engil, com cada um a ficar com 37,5% e os irmãos Martins a ficarem minoritários, com 25%.
A administração da Martifer já aprovou a oferta.
A contrapartida oferecida é de 2,057 euros por ação, com base na média dos seis meses anteriores, com as ações a negociarem nos 2,40 euros na terça-feira, com a ação a permanecer inalterada nesta sessão.
Se a operação se concretizar, a saída de bolsa parece ser já uma certeza: “Após o encerramento da oferta e estando reunidas condições para o efeito, a oferente requererá a convocação de uma assembleia geral de acionistas da sociedade visada para aprovar a exclusão voluntária de negociação das ações da sociedade visada, estando as partes no acordo parassocial tripartido obrigadas a viabilizar essa deliberação”, segundo o anúncio preliminar.
A Martifer fechou 2024 com os maiores lucros dos últimos 15 anos: 23 milhões de euros.
A companhia atingiu lucros em 2018 de 6,5 milhões, após sete anos de prejuízos, tendo chegado a atingir 370 milhões de euros, tendo recuado para os 86 milhões no final do ano passado.
A construção metálica, a origem da Martifer, contribuiu com 144 milhões de euros, seguida da indústria naval (West Sea em Viana do Castelo e Navalria em Aveiro) com receitas de 106 milhões.
A companhia fechou 2024 com quase 700 milhões de encomendas, 70% na indústria naval e com os mercados internacionais a gerarem dois terços das receitas.