ONU confirma que Coreia do Norte continua com programa nuclear

Segundo o documento, Pyongyang está a cooperar militarmente com a Síria e a tentar vender armas aos rebeldes Huthi no Iémen, apoiados pelo Irão.

ONU confirma que Coreia do Norte continua com programa nuclear
Kim Jong Un

O regime da Coreia do Norte continua a desenvolver programas nucleares e de mísseis, o que é uma violação das sanções internacionais impostas ao país e ao acordo assinado com os Estados Unidos, de acordo com um relatório confidencial das Nações Unidas revelado este sábado por jornais norte-americanos.

O documento foi elaborado por especialistas independentes, que submetem um relatório a cada seis meses ao Comité de Sanções do Conselho de Segurança da ONU. “[A Coreia do Norte] não parou os seus programas nucleares e de mísseis e continua a desafiar as resoluções do Conselho de Segurança através de um aumento maciço nas transferências ilícitas entre navios de produtos petrolíferos e de carvão”, escrevem os especialistas no relatório de 149 páginas.

O relatório da ONU afirma ainda que Pyongyang está a cooperar militarmente com a Síria e está a tentar vender armas para os rebeldes Huthi no Iémen, apoiados pelo Irão. De acordo com o texto apresentado pelos especialistas, a Coreia do Norte está a desafiar sanções através de pessoal diplomático e outros indivíduos baseados no exterior e continua a vender armas convencionais.

Pyongyang também violou sanções ao setor têxtil, exportando mais de 100 milhões de dólares em bens entre outubro de 2017 e março de 2018 para a China, Gana, Índia, México, Sri Lanka, Tailândia, Turquia e Uruguai, segundo o relatório.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, pediu este sábado à comunidade internacional que “mantenha pressão diplomática e económica” face a Pyongyang, desde que não abandone suas armas nucleares. Pompeo fez estas declarações durante um fórum da Associação das Nações do Sudeste Asiático, em Singapura, onde insistiu na necessidade de manter a pressão “para conseguir uma desnuclearização definitiva e totalmente verificada com a qual o país se comprometeu”.

Também em Singapura, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte, Ri Yong Ho, criticou Washington por ter “levantado a voz para manter as sanções”, apesar das “medidas de boa vontade” de Pyongyang.

Entretanto, um diplomata norte-americano entregou ao ministro uma carta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dirigida a Kim Jong-un.

O documento que o grupo de especialistas independentes submeteu à ONU é conhecido no momento em que Rússia e China sugeriram ao Conselho de Segurança que relaxasse as sanções, depois do presidente dos Estados Unidos e do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, terem assinado o acordo conjunto para a desnuclearização.

Os Estados Unidos e outros membros do Conselho de Segurança insistiram que deve haver uma aplicação rigorosa das sanções até que Pyongyang atue.

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