OE2026: Carneiro diz que Montenegro devia reconhecer sentido de Estado do PS e não queixar-se

“Eu não sei de que se queixa o doutor Luís Montenegro. Eu diria que ele devia era reconhecer e valorizar o sentido de estado e de serviço ao país que revelou o PS porque se ontem [quinta-feira] tivesse votado contra o orçamento, nós hoje estaríamos de novo mergulhados numa crise política”, respondeu aos jornalistas José Luís Carneiro.

OE2026: Carneiro diz que Montenegro devia reconhecer sentido de Estado do PS e não queixar-se
O secretário geral do Partido Socialista (PS), José Luis Carneiro, presta declarações aos jornalistas após um encontro com o primeiro-ministro, Luís Montenegro (ausente na fotografia), no Palácio de São Bento, em Lisboa, 30 de julho de 2025. FILIPE AMORIM/LUSA

O líder do PS considerou hoje que o primeiro-ministro, em vez de se queixar, devia “reconhecer e valorizar o sentido de estado” dos socialistas ao viabilizar a proposta orçamental, recusando comprometer-se com o Orçamento do Estado para 2027.

“Eu não sei de que se queixa o doutor Luís Montenegro. Eu diria que ele devia era reconhecer e valorizar o sentido de estado e de serviço ao país que revelou o PS porque se ontem [quinta-feira] tivesse votado contra o orçamento, nós hoje estaríamos de novo mergulhados numa crise política”, respondeu aos jornalistas José Luís Carneiro, no final de uma visita à APAV, quando questionado sobre as críticas da véspera do primeiro-ministro de que PS e Chega invadiram “esfera de decisão” do Governo no Orçamento.

O líder do PS sugeriu que o primeiro-ministro “não tem a memória no seu melhor momento” e recordou o número de propostas que o PSD, na oposição, apresentou para orçamentos de governos do PS: para o de 2023 mais de 220 propostas e para o de 2024 mais de 290 propostas.

“O PS apresentou 100 e viu serem viabilizadas 31”, comparou, dizendo que não esperava qualquer reconhecimento do Governo por esta viabilização, que fez “pelos interesses do país”.

Carneiro adiantou que, no final de 2026, dirá ao Governo que o PS lhe deu “todas as condições para cumprir e para fazer o que tem que fazer, que é governar de acordo com as promessas que fez aos portugueses em tempo eleitoral”.

“Pois com certeza que é isso que eu estou a dizer, ou seja, nós não nos podemos comprometer com o próximo orçamento, porque nós agora mostramos o nosso sentido de responsabilidade tendo em conta os objetivos extraordinários que tem o Governo”, respondeu quando questionado se isso significava que não se comprometia com o voto no Orçamento do Estado para 2027.

O primeiro-ministro considerou a proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2026 não foi desvirtuada pelas alterações no parlamento, mas que PS e Chega violaram o princípio político de que cabe ao Governo PSD/CDS-PP “a esfera de decisão”.

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