Naiole Cohen, Economista, Professora na Universidade Agostinho Neto, Luanda

O exemplo vem de cima

Aliko , Ngina Kenyatta, Hannah Subayi são apenas alguns dos novos exemplos que nos lembram que liderar é construir, é investir é incluir, é transformar. É provar, com acções, que a esperança pode ser uma estratégia de desenvolvimento.

Crescemos a observar exemplos, mesmo antes de compreendermos os grandes conceitos da vida, através de gestos, atitudes, silêncios e escolhas. O exemplo educa antes da escola, inspira antes do discurso e marca antes da teoria, porque o que vemos em casa, nas instituições, nas empresas e na liderança acaba por influenciar aquilo que somos, que acreditamos e que fazemos.

Durante muito tempo, a humanidade encontrou referências fortes em figuras que mostraram que liderar é servir. Madre Teresa de Calcutá ensinou a força da compaixão, Gandhi mostrou que a resistência pode ser pacífica e poderosa e Mandela, aqui nas Áfricas, provou que a dignidade pode sobreviver à prisão, ao ódio e à humilhação. Exemplos que vieram de cima, não de um acima arrogante. Vieram de uma grandeza moral capaz de iluminar os outros.

No século XXI parecemos perdidos, o dinheiro substituiu o mérito, o poder substituiu o serviço e o sucesso passou a ser medido apenas pela capacidade de acumular muito dinheiro. Há exemplos perigosos a ocupar demasiado palco, com líderes que normalizam a violência, decisores que confundem interesse público com interesse privado, discursos bonitos e práticas destrutivas, num “vale tudo” com rastro de destruição material, institucional e humana.

Uff! esta não é toda a história. Há exemplos a emergir que precisamos de olhar, dar-lhes voz, visibilidade e força. Vêm das Áfricas, ainda sob o preconceito do “não conseguem”, mas malembe, malembe, com inteligência, coragem e inovação, as Áfricas estão a vir!

O ecossistema tecnológico é um sinal dessa mudança. Em 2025, as startups tecnológicas das Áfricas captaram cerca de 4,1 mil milhões de dólares. Zachariah George e Janade du Plessis fundaram a Launch África Ventures em 2020, Kola Aina da Ventures Platform é conhecido por seu otimismo inabalável, Idris Bello, Hannah Subayi e tantos outros investidores estão a apoiar empreendedores africanos, mulheres fundadoras, inovação tecnológica, inclusão financeira e novas formas de prosperidade.

James Mwangi do Equity Group Holdings é um arquiteto do crescimento inclusivo, defendendo investimentos maciços em energia verde, agricultura e parcerias transfronteiriças que expandem a inclusão financeira nas Áfricas, Oriental e Central.

Depois temos o pai grande Aliko Dangote, que em sectores como cimento, energia, refinação e petroquímica procura reforçar a produção local e reduzir dependências externas. As mães grandes como Ngina Kenyatta (Quénia) com investimentos bancário, agrícola e de hotelaria, Wendy Appelbaum (África do Sul) proeminente no setor imobiliário e na indústria vinícola e Hannah Subayi (RDC) uma voz ativa pela equidade de género no capital de risco africano.

Novos exemplos lembram-nos que liderar é construir, é investir é incluir, é transformar. É provar, com acções, que a esperança pode ser uma estratégia de desenvolvimento. Exemplos que vêm de cima e um futuro que pode muito bem vir das Áfricas.

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