Raúl Proença Mesquita, Professor reformado, Escritor

O cerco

Chegamos ao busílis. Apesar da doença, o que é que se passa por trás? A quem serve ela? Porquê esta estratégia una entre antigos oponentes mundiais?

Uma retrospectiva de tempos muito recentes – 2022

Li nos anos passados recentes artigos aqui e ali, como a maioria dos leitores, calculo, percorri e-mails entrados na caixa de correio-e, com as mais variadas teorias sobre o que se estava a passar. Cheguei a ler num mesmo artigo, num jornal diário, que dizia ter como base o conhecimento de cientistas e de médicos, no ponto 1, que “o uso de máscaras era absolutamente recomendável para a população”, para, no ponto 2, logo a seguir, aparecer: “as máscaras podem ser perigosas porque guardam os vírus” e, no ponto 3, “deixe as máscaras que existem para os profissionais de saúde”. É claro, nem faço comentários.

Eis o meu texto do ano passado, que me parece muito actual, e do qual tiro ilações no fim deste artigo.

As opiniões nos vários países que propositadamente visito nos seus noticiários, desde os EUA, passando pela Euronews, até França ao Reino Unido, do noticiário Al Jazeera ao da Turquia, RT (Rússia) até ser proibido este canal pelo centro de poder da democracia europeia, ao Japão e à China são quase todas incongruentes em si-mesmas. Todos, porém, concordam que é preciso ficar em casa. Pela primeira vez na História há concordância num ponto tão importante. A saúde? E de repente todos, mas todos, viraram bons samaritanos? Hmm, cheira a esturro! A epidemia de feição pandémica existe, é verdade, mas aqui também temos versões contraditórias. Há aqueles que dizem que “o pior está para vir” numa ameaça apocalíptica, há os que dizem que “se vê luz ao fundo do túnel”; Maio, Junho, como o fim, recidiva para o ano? “Não marquem férias”, dizem os franceses. “Não se sabe o que se vai passar.” Pequenas e médias empresas a falir. Trabalho em casa. Escolas fechadas. Valas comuns nas ruas de Madrid, corroborado por médicos!

Cidadãos com neura. Pessoas com doenças cardiovasculares a fazerem exercício insuficiente. Consultas para todas as doenças encerradas, que não Covid, nos Hospitais. Teleconsultas mais caras e com uma burocracia enorme. Números hospitalares de morte Covid, segundo algumas fontes, incluem todas as mortes e não só as atingidas por este vírus, mas por doenças associadas, sem estas serem assinaladas, de onde haveria manipulação dos mesmos. Até hoje o número de mortes nos países mais atingidos como França não suplantou o da gripe do ano 2018/2019. Basta consultar os dados oficiais até agora. E ninguém foi isolado então! A Gripe Asiática, que já parece ir longe, de 1957 e 1958 matou imensa gente, mais do que 1.000.000.00, segundo os números oficiais da época, e não houve a histeria actual. Eu questiono, digo como o Larry King, que morreu em 2021: “question more!”

Chegamos ao busílis. Apesar da doença, o que é que se passa por trás? A quem serve ela? Porquê esta estratégia una entre antigos oponentes mundiais? Um ensaio para ver se as pessoas são dóceis e lestas a cumprir ordens como a de se isolarem? Trabalho de serviços, exclusivamente em casa, para que os salários desçam, com a desculpa que os trabalhadores não precisam de meios de transporte? Já vimos que a população mundial acatou tudo isto, tudo sem um “porquê”. O Admirável Mundo Novo em toda a sua pujança.

O mais grave: pessoas que aceitam tudo sem se interrogar são as mesmas que aceitaram o Nazismo. “Por que é que estão a levar os judeus para campos de concentração? E os socialistas? E os comunistas? E os ciganos? E os homossexuais?” R: Porque eles dizem que é bom para a Vaterland! “Ah!” “Por que é que estamos isolados em casa”. R: Porque eles dizem que é bom para a saúde de todos”, “Ah!”

Agora perguntamos um ano depois: um ensaio para toda(s) esta(s) guerra(s)? Está visto que a população acredita em tudo o que lhe dizem, repetidamente. Existem máscaras visuais e máscaras mentais.

O que ficou, ficou a certeza de que os povos continuam submissos, salvo raras excepções, e que obedecem cegamente. Alas abertas para novos fascismos sob, ou não, novas faces. Sem tropas e botas, de jeans e pipocas, shorts e saias compridas com aberturas, também pode haver fascismo. Perigo iminente.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.

Relacionado

O que faz Anselm Kiefer com o peso da história?

O que faz Anselm Kiefer com o peso da história?

Ana Pina25 Ago
Memória, mitologia, literatura, música e paisagem. Tudo está interligado nas onze obras que o pintor alemão Anselm Kiefer, um dos grandes nomes da arte contemporânea europeia, expõe até 25 de outubro no Centro de Arte Hortensia Herrero, em Valência, Espanha.