Na apresentação dos resultados anuais de 560,8 milhões de euros (406,7 milhões de euros recorrentes), o CEO Mark Bourke respondeu à pergunta da mudança acionista que paira sobre o Novobanco desde que foi anunciada a conclusão, no fim de 2022 bem sucedida, do período de reestruturação da DG Comp (o relatório final do Monitoring Trustee será preparado após o lançamento das contas de final de ano de 2022).
Na resposta, o CEO reafirmou que “o Novobanco está focado em desenvolver-se como banco independente e na geração orgânica de capital”, rejeitando assim uma venda no curto prazo.
Mark Bourke revelou também que o Novobanco, no âmbito do Acordo de Capitalização Contingente (CCA), está impedido de distribuir dividendos aos acionistas até 2025, fim do período estipulado em 2017 para esse acordo. Pelo que todo o capital gerado é reinvestido no banco. Isto apesar de Bruxelas dar por concluído o período de reestruturação no fim de 2022.
No que se refere a perspetivas para 2023, o banco diz que está preparado para realizar a próxima etapa do desenvolvimento e competir “como um banco nacional forte e independente”.
O banco quer fechar este ano com uma margem financeira acima de 2,2%; um rácio de eficiência (cost-to-income) abaixo de 40%. Um custo do risco de crédito (novas imparidades) em torno dos 0,50%; um rácio de Non-Performing Loans (NPL) abaixo de 4,5%; um resultado antes de impostos acima de 600 milhões de euros; e com a geração de capital acima dos 2,5% dos ativos ponderados pelo risco (RWAs), na versão fully loaded.
A meta para os resultados anuais antes de impostos recorrentes para o fim de 2023, acima dos 600 milhões de euros, será impulsionado pela reavaliação dos ativos, pelo moderado custo do risco e controlo dos custos.
A meta do rácio de capital CET1, no médio prazo, é de cerca de 12% implicando um capital de melhor qualidade (CET 1) de 2,6 milhões em 2023.
Em termos de funding, o Novobanco revelou que “espera a geração orgânica de capital e a otimização do balanço para satisfazer as necessidades de capital do MREL (minimum requirement for own funds and eligible liabilities) em 2023″. Uma nova emissão de dívida bail-inável no mercado “está sujeita à melhoria da qualidade de crédito do Novobanco que se reflete em spreads de crédito mais apertados e/ou num contexto de otimização da estrutura de capital”.
A melhoria da rentabilidade foi apoiada por uma execução estratégica consistente, refletindo um desempenho sólido da primeira linha da demonstração de resultados, juntamente com medidas de melhoria da eficiência implementadas nos últimos anos, proporcionando um rácio de rentabilidade orgânico (RoTE) de 14,4% (antes de impostos) em 2022.
O Rácio de Capital Total (fully loaded) no fim do ano passado fixou-se em 15,5%, aumentando 330bps no ano, impulsionado por uma forte rentabilidade recorrente e medidas específicas, assegurando a normalização do cumprimento dos requisitos de capital pós-pandemia.