Nova perfuração não encontra petróleo comercializável em São Tomé e Príncipe

Segundo o representante da Shell para São Tomé e Príncipe, Andrew Hepburn, os resultados não foram os esperados no poço denominado Falcão, do Bloco 10, perfurado no mês de novembro e o mais profundo na história da empresa, a cerca de três mil metros.

Nova perfuração não encontra petróleo comercializável em São Tomé e Príncipe
São Tomé e Príncipe

As petrolíferas Shell e Petrobrás anunciaram esta sexta-feira que não encontraram petróleo comercializável em São Tomé e Príncipe, segundo resultados da perfuração realizada no ano passado, mas vão continuar com as pesquisas e pediram paciência à população.

Segundo o representante da Shell para São Tomé e Príncipe, Andrew Hepburn, os resultados não foram os esperados no poço denominado Falcão, do Bloco 10, perfurado no mês de novembro e o mais profundo na história da empresa, a cerca de três mil metros.

“Infelizmente não. Não achámos nenhuma possibilidade de comercializar nem petróleo, nem gás, nem hidrocarbonetos nesse poço. Mas nós sabemos que existe um sistema de petróleo. Nós não achámos o lugar certo”, declarou Andrew Hepburn, após um encontro com o primeiro-ministro são-tomense, Américo Ramos.

Andrew Hepburn disse que a perfuração foi realizada “com sucesso operacional, usando muita tecnologia” e  “sem nenhum incidente e com muita segurança”, permitindo a recolha de mais informações para poder “informar as próximas decisões”.

“Os próximos passos para a nossa parceria, a Petrobrás e a ANP-STP [Agência Nacional de Petróleo de São Tomé e Príncipe], é justamente integrar essa informação […] Embora o resultado não [tenha sido] o esperado, dá muitas informações valiosas (…), para podermos ver os nossos modelos, ver o que aconteceu”, sublinhou.

O representante da Shell pediu paciência aos são-tomenses, sublinhando que a ZEE de São Tomé e Príncipe é uma área “muito virgem para furos e para exploração de petróleo”, onde “somente foram furados dois poços na história”, comparando com outros países que têm “várias centenas de poços”.

Sublinhou que “a exploração é uma atividade de muito longo prazo”, enfatizando que muitos países tiveram décadas sem encontrar petróleo e depois encontraram-no em grande quantidade.

“Então, a minha mensagem para a população de São Tomé e Príncipe, é paciência. (…) É um jogo de muitos anos. Nós, como empresas, somos especialistas em paciência, esse é o nosso trabalho […], temos que fazer o dever de casa, informar e continuar a luta”, disse.

A empresa prometeu que vai continuar com os estudos em outros blocos, nomeadamente 10, 11 e 13, nos quais opera em parceria com a Petrobrás, do Brasil.

“A única forma de encontrar petróleo é fazendo um furo. (…) Podemos fazer estudos de satélite, sísmica de duas dimensões, sísmica de três dimensões, amostras do fundo do mar, mas nada pode dizer se tem ou não”, explicou.

Esta foi a segunda perfuração petrolífera na ZEE de São Tomé e Príncipe.

Em outubro de 2022, o consórcio Galp e Shell confirmou “a existência de um sistema petrolífero ativo” no poço denominado “Jaca”, no bloco seis da Zona Económica Exclusiva (ZEE) de São Tomé e Príncipe, mas sem evidência de que “tenha um potencial recuperável suficientemente grande para ser comercial”.

Relacionado

Do brasão nacional para as águas profundas de São Tomé

Do brasão nacional para as águas profundas de São Tomé

Inês Amado24 Out
Viabilidade comercial da exploração petrolífera avaliada pela Shell com novo furo "Falcão", figura representado no Brasão de Armas de São Tomé e Príncipe. Resultados da perfuração serão conhecidos no primeiro trimestre de 2026, diz ao JE o diretor executivo da Agência Nacional de Petróleo (ANP-STP).
Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

Reservas de gás da União Europeia estão no nível mais baixo em 15 anos

Ruben Pires3 Set
De acordo com a publicação BiGo Finance o nível de reservas de gás que a União Europeia detém nesta altura deve-se a um erro de cálculo. O bloco europeu vinha adiando as compras de gás na expetativa de que o conflito no Médio Oriente, que se iniciou em fevereiro entre Estados Unidos, Israel, e Irão, tivesse um desfecho rápido, permitindo que o gás natural vindo do Qatar voltasse a passar pelo Estreito de Ormuz a um preço mais baixo. Contudo o cenário de momento não se concretizou.