Na era digital, Navigator investe em papel para guardanapos e embalagens

Com a diminuição no consumo de papel para impressão e escrita, a empresa avalia nova máquina para produzir papel ‘tissue’ (guardanapos, rolos de cozinha, papel higiénico ). Reforço na produção de papel de embalagem arranca em 2026.

Na era digital, Navigator investe em papel para guardanapos e embalagens
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Com a indústria dos papéis de impressão e escrita em queda, a diversificação do negócio é a aposta da Navigator para continuar a crescer. A empresa, a terceira maior exportadora portuguesa, é o principal produtor português de tissue (e o segundo a nível ibérico e quarto no Reino Unido), apresentando uma capacidade anual de produção de 165 mil toneladas. A empresa avalia ainda uma nova máquina para produção de papel tissue (um investimento que poderá rondar os 100 milhões de euros). Em 2024, o volume de vendas de tissue foi de 456 milhões de euros, um aumento de 55% face a 2023. E, no primeiro trimestre de 2025, o tissue e o packaging representarem já perto de 30% do volume de negócios.

A empresa também está a analisar investimentos em combustíveis verdes, seja em biofuels, e-fuels ou combustíveis sintéticos para o setor da aviação.

Recentemente, a Navigator aprovou o investimento de 30 milhões de euros para reconversão da sua máquina PM3 (no complexo industrial de Setúbal) e reforçar a sua posição no mercado europeu de papéis para embalagens flexíveis (papéis kraft), assumindo-se com um dos produtores de referência no setor. A nova operação tem arranque previsto para o terceiro trimestre de 2026, com uma capacidade de produção anual de 100 mil toneladas, mantendo a flexibilidade operacional de produção de papéis de impressão e escrita.

A reconversão permitirá a produção de papéis numa gama de gramagens compreendida entre 35 e 90 gramas por metro quadrado, respondendo à crescente procura por soluções de embalagem sustentáveis, em diversos segmentos de mercado desde o alimentar, até aos produtos de luxo. “A Navigator está atenta à evolução do papel no mundo e a digitalização é o nosso principal concorrente porque nos países mais desenvolvidos o consumo de papel tem vindo a diminuir. Quase toda a produção dessas 100 toneladas é para exportação, maioritariamente para países europeus e Estados Unidos”, diz Carlos Brás, diretor do complexo industrial da Navigator em Setúbal, ao Jornal Económico.

A nova PM3 vai transformar-se numa das maiores e mais competitivas máquinas da Europa para produção de papéis de embalagem de baixas gramagens, e a maior do Sul da Europa, posicionando a Navigator como o quarto maior produtor neste mercado. “O projeto permitirá à Navigator consolidar a aposta estratégica na produção de embalagens flexíveis para a indústria transformadora, nos quais a fibra de Eucalyptus globulus se tem afirmado como diferenciadora”, acrescenta o responsável ao Jornal Económico.

Produção de eucaliptos
A empresa dispõe de três centros de biodiversidade com capacidade para dar vida a mais de 12 milhões de árvores. Estes viveiros de produção de plantas – dos maiores da Europa –, localizados em Pegões, Tramagal e Penamacor, produzem mais de 130 espécies diferentes de árvores e arbustos. Muitas destas, ainda que não tendo viabilidade económica, são financiadas pela empresa, para conservação da biodiversidade e para garantir a continuidade das espécies. O viveiro de Espirra – o maior dos viveiros Aliança, com uma capacidade de produção superior a nove milhões de plantas – situa-se no concelho de Palmela, entre as localidades de Pegões e Águas de Moura. “Tendo em conta um ciclo de 12 anos, iniciámos a produção de todos os produtos que a Navigator terá no mercado em 2037, seja papel, embalagens ou bioprodutos”, diz Carmen Correia, responsável de produção de plantas não florestais e serviços ao Jornal Económico.

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