Mundial: Viagens de presidente da FIFA produzem mais emissões em duas semanas do que 78 pessoas num ano

Um relatório de 2025, transcrito pela BBC, da organização Scientists for Global Responsibility (SGR) estimava a pegada de carbono total deste Mundial nos nove milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e), o que seria equivalente a quase o dobro da média dos últimos quatro Mundiais.

Mundial: Viagens de presidente da FIFA produzem mais emissões em duas semanas do que 78 pessoas num ano
Gianni Infantino (1)

As viagens que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, tem feito no âmbito do Campeonato do Mundo de futebol, que se realiza nos Estados Unidos, Canadá e México, produziu mais emissões em duas semanas do que 78 pessoas num ano, de acordo com uma investigação levada a cabo pela BBC. Relatório já tinha alertado que este pode ser o Mundial mais poluente de sempre, apesar do compromisso da FIFA em reduzir as emissões em 50% até 2030 e atingir as emissões líquidas zero até 2040.

Em duas semanas, de acordo com os dados da BBC, Gianni Infantino, assistiu a 24 jogos do Campeonato do Mundo. O canal britânico localizou um jato privado, ligado à FIFA e a Gianni Infantino, que fez 27 voos durante o torneio do qual resultou um impacto equivalente ao de 78 pessoas num ano.

O voo mais longo realizado pelo presidente da FIFA foi de 4.507 km para assistir ao Austrália-Turquia. A sua viagem mais longa num dia, sem contar com voos noturnos, foi a 15 de junho quando fez quatro mil km através dos Estados Unidos, de Miami a Seattle, para assistir ao Bélgica-Egito. Depois deslocou-se 1.545 km para o jogo entre Irão e Nova Zelândia.

Os dados da BBC dizem que o jato privado percorreu pelo menos 50.122 km e esteve mais de 66 horas no ar entre o início do torneio e 27 de junho.

A BBC diz que o Gulfstream G650ER, o avião que se acredita estar a ser utilizado por Infantino para realizar as suas deslocações durante o torneio, terá um consumo de aproximadamente 1.817 litros por hora. Isso significa que as suas viagens durante a fase de grupo terão produzido cerca de 516 toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e). A média global anual de emissões de gases com efeito de estufa por indivíduo é de 6,56 toneladas de CO2e, referiu o canal britânico, tendo por base dados da União Europeia. Ou seja as deslocações de Gianni Infantini, em duas semanas, produziram praticamente a mesma quantidade de emissões que cerca de 78 pessoas produzem num ano.

“O presidente da FIFA viaja rotineiramente, juntamente com os dirigentes relevantes, em assuntos comerciais e relacionados com torneios, e procura visitar as associações-membro da FIFA sempre que possível. Por vezes, as viagens são organizadas em companhias aéreas comerciais [incluindo as de baixo custo] e, outras vezes, em voos fretados privados, dependendo do que for mais eficiente e económico nas circunstâncias”, disse um representante da FIFA, quando questionado pela BBC.

O canal britânico lembrou os compromissos ambientais que a FIFA tinha para este Mundial. Aqui inclui-se “esforços para aumentar a eficiência energética, promovendo a utilização de carros elétricos, transportes públicos e conservação da água”. Isto perante o compromisso da FIFA em reduzir as emissões em 50% até 2030 e atingir as emissões líquidas zero até 2040.

A BBC cita ainda um relatório de 2025 da organização Scientists for Global Responsibility (SGR) que estimava a pegada de carbono total deste mundial nos nove milhões de toneladas de CO2e, o que seria equivalente a quase o dobro da média dos últimos quatro Mundiais, passando a ser o torneio deste ano o mais poluente de sempre.

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