Infantino iria ganhar seis vezes mais (55 milhões) se plano para vender Mundiais avançasse

Gianni Infantino já estaria a preparar-se para assumir um cargo nesta nova empresa e a partir de 2028, o atual presidente da FIFA iria ganhar um salário de 55 milhões de euros, seis vezes mais do que aufere atualmente.

Infantino iria ganhar seis vezes mais (55 milhões) se plano para vender Mundiais avançasse
Foto FIFA

A polémica em torno da polémica empresa da FIFA, que iria explorar o potencial comercial dos Mundiais de futebol, tem conhecido todos os dias novos detalhes e nenhum deles abona a favor do atual presidente da FIFA.

O plano de Gianni Infantino, que passaria por abrir 20% da FIFA Forward Enterprise a investidores privados (com familiares de Trump interessados em investir) falhou mas as consequências desta novela, que até incluiu alegadas chantagens do presidente da FIFA às federações, fez com que a UEFA manifestasse oficialmente a perda de confiança no dirigente.

Este domingo, foi conhecido mais um episódio desta longa novela. De acordo com o jornal “The Times”, o dirigente de nacionalidade suíça e italiana iria ganhar seis vezes mais se a proposta de vender 20% do capital da empresa a privados avançasse, uma situação que estará a causar mal estar dentro da FIFA e no universo de patrocinadores da FIFA.

Este artigo do “The Times” avança que Gianni Infantino já estaria a preparar-se para assumir um cargo nesta nova empresa e a partir de 2028, o atual presidente da FIFA iria ganhar um salário de 55 milhões de euros, seis vezes mais do que aufere atualmente.

UEFA retira confiança a Infantino

A UEFA anunciou este sábado que Gianni Infantino perdeu a confiança do organismo que tutela o futebol europeu, poucas horas depois de o presidente da FIFA ter recuado na proposta de entrada de investidores privados.

“A atual liderança da FIFA não só perdeu a confiança da UEFA, como também a de muitos outros membros da família do futebol”, refere a UEFA em comunicado, lembrando as promessas de Infantino quando foi eleito.

A UEFA manteve o tom crítico e recuou no tempo para recordar que Infantino, ao ser eleito em 2016, tinha prometido transparência e garantido que o dinheiro do organismo máximo do futebol serviria para o desenvolvimento da modalidade.

“O dinheiro da FIFA é o vosso dinheiro. Não é o dinheiro do presidente da FIFA. É o vosso dinheiro. Vocês são as associações nacionais e o dinheiro da FIFA tem que servir para o desenvolvimento do futebol e nada mais”, citou a UEFA.

Um recuo no tempo, para a UEFA dizer agora que o presidente da FIFA “falhou” em todas as promessas que fez.

“Em relação a ambas as promessas, falhou. O acordo obscuro, feito nos bastidores e sem transparência, que arquitetou e tentou impor, foi tudo menos transparente. E com reservas superiores a cinco mil milhões de dólares, também falhou a utilização do dinheiro das associações em benefício do futebol”, disse a UEFA.

Na mesma nota, a instância máxima do futebol europeu diz querer “começar a utilizar o dinheiro que está parado na conta bancária da FIFA para dar o impulso inicial que o futebol de formação e o futebol em geral necessitam em cada um dos 211 países membros na FIFA”.

A UEFA adianta querer agora trabalhar com as outras confederações mundiais para refletir sobre o que se passou e garantir que esta situação não se repete, agradecendo ainda a todas as federações, primeiros-ministros e chefes de estado que demonstraram que “o futebol não está à venda”.

“Esta é uma vitória para todo o futebol, mas não pode ser o fim da história. A proposta caiu. A tarefa de reconstruir a confiança na FIFA está apenas a começar”, finalizou.

Infantino pretendia criar uma empresa, a FIFA Forward Enterprise (FFE), aberta a investidores privados (com uma participação minoritária, até 20%), entre os quais um irmão do genro de Donald Trump, para gerir as atividades comerciais e de eventos da instância do futebol mundial.

Já este sábado de madrugada, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, revelou que desistiu do projeto.

“Depois de ter ouvido atentamente todos os pontos de vista, tornou-se claro que o projeto criou divisões (…), que já não servem o objetivo inicial”, reconheceu num comunicado Gianni Infantino, que se encontra numa posição fragilizada após a recente demissão do seu conselheiro principal, Carlos Cordeiro.

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