No âmbito da conferência Women & Wealth, a comunidade Portuguese Women in Tech, em parceria com a Natixis em Portugal, inquiriu mais de uma centena e meia de mulheres, a residir no distrito do Porto, e chegou à conclusão que a esmagadora maioria das mulheres no Porto (79,2%) encontra-se aquém das suas ambições financeiras e apenas 3,2% afirma estar além das suas ambições financeiras.
https://jornaleconomico.pt/noticias/fidelidade-promove-poupanca-e-literacia-financeira-da-populacao/
Esta é apenas uma das conclusões do inquérito promovido pela comunidade Portuguese Women in Tech (PWIT), em parceria com a Natixis em Portugal, que inquiriu, entre os dias 26 de maio e 28 de junho de 2023, 154 mulheres a residir neste distrito, dos 21 aos 70 anos. No âmbito da conferência Women & Wealth – que ambas as entidades promoveram, também no Porto, no passado dia 3 de junho, e que se focou precisamente no tema da literacia financeira -, a PWIT e a Natixis quiseram ter uma melhor perceção do panorama atual no que diz respeito à relação que as mulheres têm com estas questões.
O relatório Women & Wealth – Literacia Financeira no Feminino, agora lançado, revela ainda que mais de metade das inquiridas (53,9%) tem apenas conhecimentos básicos relacionados com literacia financeira, sendo que apenas 5,2% diz ter conhecimentos avançados e 7,1% considera mesmo não ter quaisquer conhecimentos.
No campo laboral, a maioria (63,6%) afirma não ter qualquer contribuição para as decisões financeiras na sua empresa e apenas 7,2% assume a responsabilidade principal pelas decisões financeiras neste contexto. No entanto, entre as mulheres que afirmam ser as principais responsáveis pelas decisões financeiras na sua empresa, uma percentagem significativa (72,7%) diz ter apenas conhecimentos básicos relacionados com literacia financeira. Não há uma única inquirida a afirmar ser a principal responsável pelas decisões financeiras na sua empresa e, simultaneamente, a assumir ter conhecimentos avançados relacionados com literacia financeira.
No contexto pessoal, as inquiridas revelam mais poder nas decisões financeiras, com uma fatia de 44,2% a representar as mulheres que são as principais responsáveis pelas decisões a nível financeiro no seu agregado familiar e 51,3% a afirmar partilhar a responsabilidade com outra(s) pessoa(s). Ainda assim, do grupo de mulheres que dizem ser as principais responsáveis pelas decisões a nível financeiro no seu agregado familiar, 57,4% afirma ter apenas conhecimentos básicos ou não ter quaisquer conhecimentos relacionados com literacia financeira.
Já em questões salariais, mais de metade das inquiridas (58,5%) não considera que o salário que recebe neste momento é justo, considerando as suas capacidades/conhecimentos/função. No entanto, destas, 55,6% nunca tentou negociar o seu salário, sendo que 30% aponta falta de segurança para o fazer.
Quando se trata de criar uma empresa, 51,3% das inquiridas diz já ter tido uma ideia de negócio, mas 53,2% assume não ter avançado de todo com essa ideia. Destas, 64,3% confessa falta de segurança como um dos motivos para não ter avançado; 58,9% desafios a nível financeiro e 44,6% falta de conhecimento.
“Estes números validam aquilo que constatamos nas diversas iniciativas que vamos promovendo pelo país e nas conversas que vamos tendo neste âmbito. As mulheres continuam a demonstrar pouco conhecimento a nível financeiro e, consequentemente, pouca segurança, o que se traduz em falta de determinação para avançar quando se trata de negociar o salário, apostar na carreira profissional ou criar um negócio. Sabemos que os baixos níveis de literacia financeira acentuam as desigualdades e é, por isso, urgente apostar neste tema junto do público feminino, para que as questões que fazem com que as mulheres continuem a ter dificuldades em obter posições de poder financeiro sejam ultrapassadas e possamos observar mulheres mais independentes e autoconfiantes nestas matérias”, sublinha Inês Santos Silva, cofundadora da Portuguese Women in Tech, citada em comunicado.
“Sabemos hoje que apenas um em cada três adultos em todo o mundo tem literacia financeira. O relatório da Portuguese Women in Tech vem trazer mais dados relevantes ao mercado nacional e comprovar a urgência de trabalharmos num contexto de mais oportunidades para todos, e com mais urgência para as mulheres, que enfrentam desafios financeiros únicos, como por exemplo, as diferenças salariais entre géneros. Na Natixis, enquanto especialistas no setor bancário, queremos contribuir para mudar estas estatísticas e acreditamos que a educação financeira é um pilar essencial na construção de uma sociedade mais desenvolvida e, acima de tudo, mais justa e igualitária”, realça Etienne Huret, diretor-geral da Natixis em Portugal.
O relatório Women & Wealth – Literacia Financeira no Feminino chegou ainda a outras conclusões relacionadas com Literacia & Responsabilidade nas Decisões Financeiras; Dependência Financeira & Salário; Investimentos, Negócios & Ambições Financeiras. O relatório completo pode ser consultado em www.portuguesewomenintech.com/wwreport
A Portuguese Women in Tech nasceu em abril de 2016, pelas mãos de Liliana Castro e de Inês Santos Silva, com uma dupla missão: atrair mais mulheres e raparigas para a tecnologia, assim como apoiar as mulheres nesta área – dando-lhes visibilidade, oportunidades de networking, mentoria, formação, entre outros. Desde a sua fundação, a comunidade PWIT tem promovido uma série de ações e iniciativas no sentido de atingir a igualdade de género, como eventos, lançamento de relatórios sobre o setor e ferramentas de apoio.