A Moody’s, uma das principais agências de rating do mundo, baixou a perspetiva da dívida israelita de positiva para estável, apesar de manter o rating de crédito em A1. A decisão surge apesar do empenhamento do topo da política israelita – nomeadamente o presidente Isaac Herzog, segundo adianta a imprensa israelita – em tentar demover a alteração a empresa de alterar a notação.
A controversa decisão do governo de Benjamun Netanyahu de reformar drasticamente o pode judiciário – retirando-lhe muitas das competências que lhe permitiam ter uma palavra a dizer no processo de formação dos governos – foi a causa apontada pela empresa para insistitr na nova notação.
Um relatório da Moody’s confirmou os temores de que as perspetivas de crédito de Israel podiam baixar, como a Moody’s havia já alertado no mês passado, se o governo der extrema-direita insistisse no plano para a justiça. Se implementadas na íntegra, as propostas de reforma judicial “enfraqueceriam materialmente a força do poder judiciário e, como tal, seriam negativas para o crédito”, disse a Moody’s num relatório publicado no início de março.
Protestos em massa de várias semanas em todo o país contra a decisão do governo aconteceram – mesmo depois de Netanyahu ter interrompido, no final do mês passado e por um mês, a implementação das medidas. A ideia era permitir o diálogo para chegar a um acordo entre o governo e a oposição – mas também essa frente correu mal. Não só porque os ministros mostraram-se pouco interessados no adiamento da aprovação da nova legislação, mas também porque a oposição não deu quaisquer mostras de pretender estender pontes para um entendimento.
A Moody’s refere que a atualização das perspetivas de crédito de Israel – “reflete uma deterioração da governance de Israel, conforme mostram os eventos recentes em torno da proposta do governo de reformar do poder judiciário do país”.
“Enquanto os protestos em massa levaram o governo a uma pausa no processo de legislação e a uma busca do diálogo com a oposição, a forma como o governo tentou implementar uma reforma abrangente sem encontrar um amplo consenso aponta para um enfraquecimento da força institucional e da previsibilidade das políticas”, afirma o novo relatório da Moody’s.
Embora a perspetiva de crédito tenha sofrido um golpe, a agência manteve a classificação de crédito real do país em A1, citando “forte crescimento económico e melhoria da força fiscal”.
A economia de Israel, disse a Moody’s, “provou ser resiliente a muitos choques económicos e geopolíticos nas últimas décadas e cresceu rapidamente, auxiliada pelas indústrias de alta tecnologia globalmente competitivas de Israel. As projeções básicas da Moody’s assumem um crescimento robusto e contínuo no médio prazo”.