O primeiro-ministro, Luís Montenegro, considerou esta segunda-feira, 10 de agosto, que Portugal, apesar de todas as adversidades, está a viver um “bom momento” e um período em que é mais competitivo do que os seus parceiros.
“Nós somos um país que está a viver um bom momento, isto não significa desrespeito perante as dificuldades das pessoas, nomeadamente das pessoas que têm necessidade de ir ao SNS [Serviço Nacional de Saúde], das pessoas que têm filhos na escola que querem cumprir o plano académico, das pessoas que estão numa fase mais adiantada da sua vida e que não querem ficar sós e precisam de ser acompanhadas e das pessoas que vão às bombas de gasolina e gasóleo e abastecem e têm um custo maior do que tinham há um ano”, afirmou. O chefe do executivo assumiu que esses são problemas que existem, mas que o Governo acompanha e tenta mitigar.
À margem da inauguração da Loja do Cidadão em Fafe, no distrito de Braga, o chefe do executivo social-democrata insistiu que Portugal está a viver um período, – apesar de todas das circunstâncias adversas como o comboio de tempestades, crise no Médio Oriente ou guerra na Ucrânia -, em que é mais competitivo do que os seus parceiros. “E isso deve mobilizar o país para crescer ainda mais”, considerou.
Portugal tem tido resultados económicos que são “muito mais significativos” do que na esmagadora maioria dos Estados da União Europeia ao nível do crescimento da economia, aumento das exportações, emprego e rendimentos, frisou.
“E sempre que aparece uma notícia assim um bocadinho mais ao lado parece que está tudo mal, mas não está”, destacou Montenegro, referindo-se aos números da dívida. Neste contexto, o primeiro-ministro acrescentou: “O outro dia ficámos a saber por razões que são razões de gestão que a nossa dívida pública tinha aumentado, mas já disse e vou dizer outa vez que nós vamos chegar ao final do ano e vamos superar outra vez as expectativas”. Montenegro questionou o porquê de haver, de imediato, uma análise “tão negativista” perante uma coisa que está explicada e que não retira o país do objetivo de ser mais forte, dinâmico e solidário.
Dívida pública volta a subir
Contudo, dados divulgados pelo Banco de Portugal, a 3 de agosto, indicam que a dívida pública portuguesa voltou a aumentar, tanto em termos absolutos, como relativos, e já pesa quase 93% do PIB novamente no final do segundo trimestre. Sendo, em termos relativos, o terceiro trimestre consecutivo com o indicador a crescer, dado que saltou de 89,7%, no final do ano passado, para 92,9% na leitura divulgada esta segunda-feira, 3 de agosto. Em comparação com o trimestre anterior, registou-se uma subida de 1,9 pontos percentuais (pp).
O stock de dívida chegou a 293,9 mil milhões de euros no final de junho, o que representa um aumento de 5,2 mil milhões em relação ao mês anterior. Em comparação com igual período do ano passado, quando o montante em dívida chegava a 287,1 mil milhões de euros, o crescimento ultrapassa os 6 mil milhões.
O Governo projeta para o final deste ano um rácio de 87,5%, o que corresponderia a uma queda de 2,2 pp face aos 89,7% com que fechou 2025 – a primeira vez em 16 anos que Portugal conseguiu um rácio de dívida inferior a 90% no final do ano.