Montenegro afirma liderança do Governo e do PSD como “Sá Carneirista”

“Sim, este atual governo, o 25.º Governo Constitucional, é um governo 'Sá Caneirista', sim, a liderança do PSD é uma liderança 'Sá Caneirista' e é 'Sá Caneirista' naquilo que é o âmago, o fundamento, o centro, o coração da nossa alma política”, salientou.

Montenegro afirma liderança do Governo e do PSD como “Sá Carneirista”
epa12112036 Prime Minister of Portugal, leader of the Democratic Alliance (AD) coalition, and President of the Social Democratic Party (PSD), Luis Montenegro, speaks to the press after casting his vote for the legislative elections at a polling station in Espinho, center of Portugal, 18 May 2025. Portugal holds early parliamentary elections on 18 May 2025, where over 10.8 million voters will choose from 20 political parties to fill the 230 seats in the Assembly of the Republic. EPA/ESTELA SILVA

O primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, afirmou hoje que o Governo e a sua liderança são “Sá Carneiristas”, indicando que segue os valores do fundador do PPD, entre os quais o da livre iniciativa.

“Sim, este atual governo, o 25.º Governo Constitucional, é um governo ‘Sá Caneirista’, sim, a liderança do PSD é uma liderança ‘Sá Caneirista’ e é ‘Sá Caneirista’ naquilo que é o âmago, o fundamento, o centro, o coração da nossa alma política”, salientou.

Luís Montenegro discursava na cerimónia de inauguração da exposição “Francisco Sá Carneiro e a Construção da Democracia Portuguesa”, organizada pelo Arquivo Ephemera, que pode ser visitada até 31 de janeiro de 2026, em Lisboa.

O primeiro-ministro referiu que se inspira “muito nos valores fundadores da intervenção política de Sá Carneiro” no seu legado e nos seus valores.

Luís Montenegro admitiu que esta consideração poder ser considerada “provocatória, polémica”, mas mostrou-se “disponível para discutir” a sua posição relativamente a Sá Carneiro “com quer que seja”

“Eu não tenho nenhum problema em dizer que o Governo atual é um Governo ‘Sá Carneirista, Sá Carneirista em toda a sua expressão, em todo o seu instinto e em toda a sua forma de compreensão da sociedade portuguesa, de intervenção na sociedade portuguesa, de transformação da sociedade portuguesa, para cumprir o seu fim último, que é a melhoria das condições de vida e do bem-estar de cada pessoa”, explicou.

O líder social-democrata assinalou que as circunstâncias históricas, políticas, a realidade nacional e também internacional, bem como o contexto europeu são “radicalmente diferentes”, mas o atual Governo conta com “o mesmo espírito, com a mesma inspiração”.

“A inspiração de quem conta com todas as forças da sociedade para criar, gerar mais riqueza, de quem acha que na livre iniciativa das pessoas e das suas instituições nasce a raiz da intervenção social e económica que é geradora de riqueza, de economia, de pujança económica que possibilita ao decisor político prosseguir as políticas sociais que não deixam ninguém para trás e que valorizam a condição individual de cada ser humano, de cada mulher e de cada homem, que atendem àquele que é o desígnio maior de um político, que é dar a cada ser humano uma oportunidade de ele ser aquilo que quer”, sustentou.

“O político que nós vemos em Sá Carneiro e em quem nos inspiramos para hoje traduzir na nossa ação em termos de pensamento é aquele político que não quer obrigar ninguém a ser o que não quer, que não quer impor nada a ninguém, mas quer dar os instrumentos a todos para ser aquilo que querem. E depois cada um é aquilo que quer mediante a utilização que faz dos instrumentos que tem à sua disposição”, defendeu.

Montenegro considerou que essa “é a raiz do pensamento de Sá Carneiro” e a “raiz do pensamento social-democrata à moda portuguesa”, entre o “socialismo e um conservadorismo mais estanque, ali entre o centro-esquerda e o centro-direita, que como Marcelo Rebelo de Sousa tantas vezes invocou e ainda muito antes de ser Presidente da República, como o espaço de intervenção do espetro do PPD-PSD”.

Após uma cerimónia com discursos do primeiro-ministro, do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, do responsável pelo Arquivo Ephemera, José Pacheco Pereira, e do provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Paulo Alexandre Sousa, seguiu-se uma visita à exposição.

Estiveram presentes também o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, os presidentes da câmara de Lisboa, Carlos Moedas, do Porto, Rui Moreira, o cardeal Américo Aguiar, o candidato presidencial e antigo líder do PSD, Luís Marques Mendes ou a secretária de Sá Carneiro, Conceição Monteiro.

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