A ministra da Presidência, que substituía o primeiro-ministro nas suas férias quando alegadamente houve agressões entre elementos do gabinete do ministro das Infraestruturas, diz que não recebeu nenhum pedido de intervenção nessa noite de 26 de abril.
“Quando fui contactada sobre esses acontecimentos já foi numa fase muito final da noite. Já os contactos que foram feitos tinham sido feitas. Foi numa perspetiva de informação face ao que tinha ocorrido”, afirmou Mariana Vieira da Silva, em entrevista à “Antena 1” e ao “Jornal de Negócios”, a propósito dos desentendimentos entre a equipa de João Galamba.
“Quando alguma coisa acontece num ministério há as pessoas que devem tomar as decisões, estão capacitadas e que têm mais informação sobre a situação em causa do que quem não está presente. Se tivesse sido necessária intervenção ela teria sido pedida”, explicou a governante, esclarecendo que foi informada pelo secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, porque era véspera de Conselho de Ministros e ainda estavam a trabalhar.
Em causa estão os relatos de que Frederico Pinheiro, ex-adjunto do ministro das Infraestruturas, foi agredido fisicamente, foi alvo de ameaças e furtou um computador portátil depois de ter sido exonerado. Eugénia Correia, chefe de gabinete de João Galamba, nega a violência física. O caso envolveu o SIS (Serviço de Informações de Segurança).
Para a ministra da Presidência, a comunicação ao SIS é justificada em função da avaliação que foi feita sobre a informação que esse computador continha, porque um PC de trabalho tem necessariamente uma série de dados diferentes dos pessoais. Logo, cabe a cada membro do Governo avaliar a sua relevância e, em função dessa avaliação, lançar os alertas adequados. A partir daí, as opções tomadas deixam de ser da responsabilidade do Executivo.
Em declarações à rádio e ao jornal de economia, Mariana Vieira da Silva, admite que a situação tem impacto no Governo e que era desejável que não tivesse acontecido, mas deixa para a comissão de inquérito a avaliação.
“As condições para que o Governo faça o seu trabalho estão reunidas. O Governo tem um conjunto de compromissos que está a cumprir. Estamos a executar um programa de Governo que foi sufragado pelos portugueses, tem um ritmo de concretização significativo, existe uma maioria na Assembleia da República e, portanto, é o tempo de governar”, concluiu.