O presidente executivo do grupo EDP foi às Nações Unidas (ONU) em Nova Iorque defender a necessidade de o mundo apostar nas energias renováveis. Miguel Stilwell d’Andrade também recordou os desafios que o sector energético enfrenta para descarbonizar, num momento em que a EDP prepara um giga-investimento de 25 mil milhões nos próximos quatro anos a nível global.
“A ciência diz-nos que precisamos de acelerar o esforço para atingir carbono zero. O sector da energia é absolutamente chave. A idade da pedra não acabou por falta de pedras. Não acredito que a idade dos combustíveis fósseis acabe por falta deles. Espero que fiquem enterrados durante muito tempo”, começou por dizer na sede da ONU nos EUA.
“A energia renovável é muito barata hoje em dia. O preço já não é um problema, e traz independência energética”, afirmou. E deu exemplos: o custo da energia solar e eólica desceu 95% na última década, segundo as suas declarações numa sessão durante a Climate Ambition Summit, integrada na Climate Week convocada pelo secretário-geral da ONU António Guterres.
Mas nem tudo é um mar de rosas, alertou Miguel Stilwell na sua intervenção. “Há desafios, há dificuldade em escalar nas redes, interligações, o licenciamento é complexo, e há o assunto de oposição por parte de comunidades locais, e a atitude NIMBY [acrónimo para not in my backyard, algo como ‘renováveis no meu quintal não’]. Isto são tudo dificuldades de execução e torna o escalar mais difícil.
Paralelamente, defendeu a necessidade de um quadro regulatório estável. “Isto é absolutamente essencial, os investidores precisam de regulação estável para tomar decisões”, destacando os “grandes avanços nos EUA e na Europa”, considerando que ainda existe “muita desinformação” noutros mercados.
Na sessão Credibility of Net Zero through ‘Integrity Matters’ implementation: Leadership by early movers and doers and the role of regulation, o gestor português recordou que 85% da energia produzida pela EDP tem origem em fontes renováveis, um disparo face aos 20% há 20 anos.
No entanto, “ainda há mais a fazer”, sinalizou, apontando para os 25 mil milhões de euros que a EDP pretende investir nos próximos quatro anos.
“Estamos a substituir ativos termais, ficaremos sem carvão nos próximos 18 meses, completamente. Portugal já não tem carvão”, exemplificou. “E seremos totalmente verdes em 20230, quando já não tivermos gás. E temos um compromisso de ser carbono zero até 2040”.
“Os investidores estão mais atraídos por este caminho”, apontou, mas agora é preciso “walk the talk“, isto é, passar das palavras às ações, concluiu.