Mercado Global de M&A regista subida de 28% no primeiro trimestre impulsionado por “Meganegócios e IA”

Por sua vez, nos desinvestimentos, o valor global das operações manteve-se estável face a 2025, embora o número de operações tenha recuado 10%.

Mercado Global de M&A regista subida de 28% no primeiro trimestre impulsionado por “Meganegócios e IA”
Bain & Company

O mercado global de fusões e aquisições (M&A) consolidou a sua trajetória de recuperação no primeiro trimestre de 2026. De acordo com os dados mais recentes revelados pela consultora Bain & Company, o valor total das operações registou um crescimento de 28% face ao mesmo período de 2025. O volume de transações acompanhou esta tendência positiva, registando um aumento de 9%.

Segundo a consultora, este dinamismo foi fortemente sustentado pelos chamados “meganegócios”. As operações com valores superiores a 5 mil milhões de dólares ganharam um protagonismo central, representando quase metade do valor total movimentado no mercado global durante o trimestre. Como reflexo direto deste peso das grandes transações, o valor médio das operações globais subiu 13% em termos homólogos.

A nível setorial, a subida do valor transacionado foi alavancada principalmente por três indústrias: Bens de consumo; Saúde; e Serviços financeiros.

Já no que toca ao mapa geográfico, o grande destaque vai para a região EMEA (Europa, Médio Oriente e África), que liderou o crescimento entre as principais geografias mundiais. Beneficiando de uma recuperação gradual da atividade económica no continente europeu, o valor das operações nesta região disparou 61% em comparação com o primeiro trimestre do ano anterior.

O Boom do Capital de Risco e a Inteligência Artificial

Outro indicador de destaque no arranque de 2026 foi o comportamento do capital de risco, que registou um crescimento expressivo de 167% no trimestre. Este “boom” foi impulsionado essencialmente por investimentos de grande escala direcionados a empresas ligadas ao desenvolvimento e aplicação da inteligência artificial, segundo a consultora.

“As empresas estão a voltar a realizar operações de M&A para acelerar transformação e ganhar escala em áreas estratégicas, sobretudo tecnologia e inteligência artificial”, explica Alvaro Pires, Partner da Bain & Company. O responsável nota ainda que, do lado dos investidores, o cenário é de maior exigência: “continuam seletivos e mais focados na capacidade de execução pós-aquisição”.

Em contrapartida, o segmento dos desinvestimentos apresentou uma tendência mais contida. Embora o valor global destas operações tenha permanecido estável em relação a 2025, o número total de transações de desinvestimento recuou 10%.

 

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