Mentor do atual secretário do Tesouro admite uso de IA para o criticar sobre reforço de compras de obrigações dos EUA

O fundador do fundo Duquesne Capital, Stanley Druckenmiller, que é visto como mentor de Scott Bessent, cruzaram-se ao nível profissional no fundo dirigido por George Soros. Em 1992, Druckenmiller e Bessent fizeram parte da equipa que esteve envolvida na aposta contra a moeda britânica, que se revelou bem sucedida, tendo gerado cerca de mil milhões de dólares (860 milhões de euros) de lucro.

Mentor do atual secretário do Tesouro admite uso de IA para o criticar sobre reforço de compras de obrigações dos EUA
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O fundador do fundo Duquesne Capital, Stanley Druckenmiller, admitiu ter recorrido à inteligência artificial (IA) para escrever um artigo de opinião no Wall Street Journal onde criticou o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, sobre o reforço das compras pelo executivo dos Estados Unidos de obrigações norte-americanas. Druckenmiller, que é visto como mentor de Bessent, cruzaram-se ao nível profissional no fundo dirigido por George Soros. Em 1992, Druckenmiller e Bessent fizeram parte da equipa que esteve envolvida na aposta contra a moeda britânica, que se revelou bem sucedida, tendo gerado cerca de mil milhões de dólares (860 milhões de euros) de lucro.

Depois das obrigações norte-americanas terem atingido, a 17 de agosto, um máximo de 2007, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou a 19 de agosto que iria existir um aumento da compra de obrigações, nos prazos de 10 a 20 anos e de 20 a 30 anos, em pelo menos o dobro.

“O limite máximo atual de dois mil milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual) por operação passará a ser de, pelo menos, quatro mil milhões de dólares (3,4 mil milhões de euros) por operação”, sublinhou.

A medida entra em vigor a 9 de setembro de 2026 e “manter-se-á em vigor” durante o resto deste trimestre de refinanciamento (até 4 de novembro de 2026). “O Tesouro fornecerá mais informações sobre os tamanhos futuros das recompras no próximo Relatório Trimestral de Refinanciamento, agendado para 4 de novembro de 2026”, explicou. “Este aumento dos tamanhos das operações de recompra reflete o desejo do Tesouro de proporcionar um maior apoio à liquidez nos sectores de longo prazo com cupão nominal, onde existe um forte apoio consistente por parte dos participantes do mercado, como evidenciado pelo volume significativo de ofertas de alta qualidade que o Tesouro recebe rotineiramente nas operações de recompra de longo prazo”, referiu.

No artigo de opinião que escreveu intitulado ‘Let the Bond Market Speak (Deixe o mercado de obrigações falar)’ Druckenmiller disse: “Qualquer poupança que esta operação em pontos base trará custará muito [no futuro] … O que deveria acontecer, em vez disso, é simples. Devolver as recompras de obrigações ao seu propósito original: operações de liquidez pequenas, programadas e fora do ciclo normal, anunciadas nos refinanciamentos trimestrais, e nunca respostas fora do ciclo às variações dos níveis de juros”, defendeu.

E ainda acrescentou: “Prolongue-se o prazo da dívida de forma honesta e pague-se o preço que o mercado definir. Se as obrigações a 30 anos precisam de ser negociadas a 5,5% não se trata de uma crise. É uma fatura. Faça-se a única coisa que reduz de forma duradoura a yield das obrigações a longo prazo: aborde-se o défice primário. […] Para que o encargo seja partilhado entre gerações, em vez de recair sobre os mais jovens […] Os governos que defendem os preços contra os fundamentais perdem sempre”.

Gestor admite ter usado IA para criticar secretário do Tesouro dos EUA

Numa entrevista ao portal digital NOTUS, Stanley Druckenmiller, afirmou: “É claro que usei IA. Há uma razão para eu ter mudado de Letras para Economia. Não tenho vergonha disto… Agora escrevo tudo usando IA pelo mesmo motivo que uso uma calculadora para resolver problemas de matemática”, em declarações transcritas pelo New York Post.

O portal referiu que recorreu ao programa de deteção de IA (Pangram) para analisar o artigo que foi publicado por Druckenmiller onde acabou por detetar que este tinha sido escrito com o recurso a IA, depois de nas redes sociais terem surgido alegações do género.

O editor de opinião do Wall Street Journal, Paul Gigot, citado pelo New York Post, considerou que a IA é “uma realidade” da vida moderna. “As pessoas utilizam-na para auxiliar no seu trabalho e na sua escrita, incluindo em pesquisas, revisão gramatical, edição e muito mais”, acrescentou. “A questão para nós é se o que publicamos reflete o argumento original do autor e se o autor tem a reputação e a credibilidade para o expressar. No caso de Stan Druckenmiller, temos uma relação com ele há muitos anos e ninguém pode duvidar que o seu artigo de opinião é genuíno”, sublinhou.

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