Os Estados Unidos lançaram ataques aéreos contra o Irão na madrugada de quarta-feira, e Teerão respondeu com o lançamento de mísseis contra países da região. Já é claro para todos que a guerra voltou ao ativo e que as armas ameaçam não se calar tão cedo. Esta quarta-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, alertou para uma renovada onda de ataques ao Irão, ao mesmo tempo que afirmava que os negociadores da paz iranianos “continuam a fazer-nos de idiotas”. “Vamos atacá-los, atacá-los com muita força”, disse. “Estávamos muito perto de fechar um acordo, mas eles continuam a enrolar-nos, continuam a fazer-nos de idiotas.”
Trump disse que o Irão demorou demasiado tempo para negociar o acordo e agora “terá que pagar o preço”. Convém recordar que o Irão impunha como fator essencial para manter as negociações o fim dos ataques israelitas ao Líbano – no sul, na capital, nos arredores da capital, onde quer que seja que elementos do Hezbollah possam estar ou ser dito que estão. Israel continuou a atacar o Líbano, sabendo que isso iria impedir as negociações. Portanto, fica claro que ou Israel ou o Irão, um deles, voltou a ‘empurrar’ os Estados Unidos para o atoleiro da guerra no Médio Oriente. Os analistas mais cáusticos dizem que, mais uma vez, Trump não mostra iniciativa, limitando-se a seguir o ‘engodo’ que lhe lançam ao caminho.
“O valentão do Médio Oriente está MORTO!!! Eles demoraram demais para negociar um acordo que teria sido ótimo para eles, agora terão que pagar o preço!!!”, escreveu Trump nas redes sociais. Trump disse ainda, numa entrevista por telefone à Fox News, que, como as negociações de paz não avançaram, está cada vez mais perto de optar por atacar os complexos de energia e as pontes do Irão. “Eles tiveram hipótese de fechar um acordo e sobreviver.”
Um dia antes, terça-feira, Trump tinha dito que as negociações poderiam ser concluídas em “dois ou três dias”. Os mediadores externos, nomeadamente do Qatar e do Paquistão, é que ainda não perderam toda a esperança de conseguirem sentar as duas partes à mesma mesa.
Esta quarta-feira, o Qatar manteve contactos com o Irão para observar que tipo de possibilidades ainda haverá para promover esse encontro. Segundo algumas fontes citadas pelo jornal ‘Axios’, a intenção de Trump é endurecer a guerra contra o Irão para de uma vez por todas obrigar as suas lideranças a sentarem-se à mesa das negociações.
Mas o episódio do helicóptero parece ter mudado tudo. Os Estados Unidos lançaram uma série de ataques contra o Irão na noite de terça-feira em resposta ao abate de um helicóptero norte-americano, com Teerão a responder de imediato contra bases norte-americanas na região. Jordânia, Bahrein e Kuwait foram os países envolvidos. Todos os três confirmaram os ataques. Em comunicado, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou que as forças iranianas dispararam “mísseis de longo alcance”, alegando que “alvejaram e destruíram quatro alvos importantes” na Jordânia, incluindo ninhos de caças F-35 em uma base aérea e o centro de comando dos EUA em Al-Azra.
Entretanto, na frente económica
A administração Trump impôs uma nova ronda de sanções relacionadas com o Irão, visando seis indivíduos e quatro entidades, incluindo algumas ligadas à China, de acordo com um comunicado publicado no site do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. “Como parte da Operação Fúria Económica, o Gabinete de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA sancionou nove indivíduos e entidades que apoiaram a aquisição de armas em nome da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão e do Ministério da Defesa e Logística das Forças Armadas (MODAFL)”.
Entre os designados “estão indivíduos e empresas sediados na China e em Hong Kong que facilitaram a aquisição de armas à IRGC e ao MODAFL, bem como uma empresa sediada em Hong Kong que opera na rede bancária clandestina do Irão e que tentou realizar transações relacionadas à aquisição de armas”.
Ao final desta quarta-feira, o petróleo Brent estava a cotar um pouco acima dos 94 dólares, subindo 2,5%. Mas, ao longo do dia, chegou a estar mais caro – o que é, para os analistas, uma reação curiosa face ao recomeço dos ataques.