Médio Oriente: Irão apresentou uma nova proposta para a paz

Nesta guerra que também é de palavras, Teerão diz que Washington respondeu à proposta anterior, apesar de a ter recusado publicamente. Esta terça-feira, Trump reúne com o seu gabinete de segurança e a ameaça do regresso dos ataques militares faz parte da agenda.

Médio Oriente: Irão apresentou uma nova proposta para a paz
epa12273726 US President Donald J. Trump, with HHS Secretary Robert F. Kennedy Jr., delivers remarks during a Making Health Technology Great Again event in the East Room of the White House in Washington, DC, USA, 30 July 2025. The White House and the Centers for Medicare and Medicaid Services have received commitments from 60 healthcare technology companies to collaborate on a new health technology advancement initiative. EPA/SHAWN THEW

O Paquistão entregou aos Estados Unidos uma nova versão revista da proposta de paz iraniana para guerra no Oriente Médio, juntamente com a mensagem, da parte do mediador, de que os dois lados “já não têm muito tempo”. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irão, Esmaeil Baghaei, confirmou o envio, mas não forneceu quaisquer detalhes sobre as alterações da proposta anterior, enviada na semana passada e que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prontamente rejeitou pouco depois. O Paquistão também não deu pistas sobre as possíveis alterações – e, ao contrário do que é costume, Trump não respondeu de imediato por via das redes sociais.

Ao contrário, o presidente dos Estados Unidos usou estas plataformas no domingo para lançar novos alertas sobre o Irão relativamente a uma cada vez mais próxima hora de mandar lançar novos ataques devastadores sobre o território iraniano. E afirmou que o cessar-fogo está com “respiração assistida”.

Recorde-se que, na proposta da passada semana, o Irão propunha o fim da guerra e só depois o posterior lançamento de negociações para encontrar soluções mais sólidas, nomeadamente para a questão do Estreito de Ormuz e do programa nuclear. Segundo a imprensa norte-americana, Teerão exigiu ainda uma indenização pelos danos causados pela guerra, o fim do bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos e a suspensão dos combates em todas as frentes – o que inclui o Líbano, onde Israel continua a atuar militarmente, apesar de também ali haver um cessar-fogo que em princípio estaria em vigor.

Trump disse, em publicação nas redes sociais, no fim-de-semana, que “o relógio está a correr” para o Irão, acrescentando que “é melhor eles mexerem-se rapidamente, ou não sobrará nada deles. O tempo é essencial”.

Entretanto, está previsto que Trump convoque para esta terça-feira uma reunião com os seus assessores de segurança nacional para discutir opções para retomar a ação militar, informou o site Axios. Esta fonte adianta também que a Casa Branca observar a nova proposta como não representando uma melhoria suficientemente significativa para ser considerada válida para ‘início de conversa’. A nova proposta teria apenas alterações simbólicas.

A nova proposta inclui mais detalhes sobre o compromisso do Irão de não procurar o desenvolvimento de armas nucleares, mas não apresenta compromissos detalhados sobre a suspensão do enriquecimento de urânio ou a entrega de seu stock de urânio altamente enriquecido.

Segundo a Axios, Trump quer um acordo para encerrar a guerra, mas está a considerar retomar os ataques devido à rejeição do Irão a muitas das suas exigências e à recusa em fazer concessões significativas no seu programa nuclear. De qualquer modo, a leitura da Casa Branca é que o facto de o Irão ter feito uma nova contraproposta, mesmo que apenas com pequenas alterações, sugere que o regime de Teerão está preocupado com a possibilidade de novas ações militares norte-americanas.

Recorde-se que o ministro do Interior paquistanês, Mohsin Naqvi, passou três dias em Teerão como parte dos esforços de mediação e regressou a Islamabad esta segunda-feira. O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, que também está envolvido na mediação, disse em Berlim, também esta segunda-feira, que espera que os Estados Unidos e o Irão “estejam cientes dos perigos de reiniciar a guerra”. E afirmou que o Qatar, o Egipto e a Arábia Saudita também estão a participar nos esforços de mediação.

Irão diz que há uma resposta

Do seu lado, e segundo a imprensa iraniana, Teerão afirma que os Estados Unidos continuaram a trocar opiniões sobre a proposta de acordo por via da mediação paquistanesa, apesar de terem rejeitado publicamente a proposta iraniana de 14 pontos. Wara segunda-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irão, Esmaeil Baqaei, disse que Washington transmitiu “um conjunto de pontos e considerações revistos”. “Depois de apresentarmos o plano de 14 pontos, o lado americano levantou as suas considerações. Em resposta, nós também apresentámos as nossas”, disse Baqaei.

“Na semana passada, apesar de o lado americano ter anunciado publicamente que plano tinha sido rejeitado, recebemos, por meio do mediador paquistanês, um conjunto de pontos e considerações ​​que refletem os seus pontos de vista”, acrescentou. “Desde o dia seguinte ao envio das posições americanas através do Paquistão, fomos confrontados com uma série de propostas da outra parte, que foram analisadas nos últimos dias e as nossas posições foram, por sua vez, apresentadas ao lado americano”, disse. “Portanto, o processo continua no Paquistão.”

Baqaei adiantou ainda que o Irão está a levar a efeito medidas legais em órgãos internacionais relativas aos crimes cometidos pelos Estados Unidos e por Israel contra a república islâmica. “Registámos uma ação judicial no Tribunal de Reclamações Irão-EUA em 27 de fevereiro, antes do início da guerra recente”. “A queixa é contra os Estados Unidos com base na Cláusula 1 dos Acordos de Argel, devido à interferência americana nos assuntos internos do Irão, ao início da guerra e também às sanções.” “Todos os casos envolvendo violações do direito humanos e das leis da guerra, incluindo o caso da escola de Minab, que ganhou grande destaque e é discutido globalmente todos os dias, e cujas novas dimensões estão a ser continuamente descobertas, foram registados junto dos órgãos internacionais competentes”, acrescentou.

Com alguma surpresa, Baqaei disse ainda que “não temos qualquer disputa ou hostilidade com o povo americano. Esta é uma guerra que foi imposta à nação iraniana pelo establishment dos Estados Unidos, e que também impôs custos elevados aos cidadãos americanos unicamente para garantir as ambições ilegítimas do regime sionista na região.”

Sobre as relações Irão-China, Baqaei afirmou que a nomeação do presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, como representante especial para assuntos da China reflete a importância que Teerão atribui aos laços com a China. “Sempre tivemos um representante especial para assuntos relacionados com a China. Isso demonstra a importância que atribuímos às nossas relações com a China”. “Acreditamos que os laços com a China, especialmente à luz dos desenvolvimentos internacionais, são suficientemente importantes para que as decisões a seu respeito sejam tomadas a partir de uma perspetiva macro, para que os interesses do país possam ser perseguidos com mais seriedade”, afirmou, citado pela agência IRNA.

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