Maior banco de testes para nova geração de fibras óticas inaugura em Lisboa com japonês NICT já a bordo

O investimento que vai posicionar Portugal no campeonato mundial da fibra ótica multinúcleo que o Jornal Económico deu a conhecer em primeira mão é inaugurado esta segunda-feira, 3. O Iscte revela que a agência estatal japonesa NICT é o primeiro gigante a formalizar protocolo, para a partir de 2026 fazer testes conjuntos na capital.

Maior banco de testes para nova geração de fibras óticas inaugura em Lisboa com japonês NICT já a bordo
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O Iscte, o grupo alemão Heraeus Covantics e o Metropolitano de Lisboa inauguram esta segunda-feira, 3, na presença de Castro Almeida e Miguel Pinto Luz – ministros da Economia e Coesão Territorial e das Infraestruturas e Habitação – o maior banco de testes de fibra ótica multinúcleo do mundo que está a ser instalado na Linha Amarela do Metro.

O investimento que o Jornal Económico deu a conhecer em primeira mão, em setembro, vai tornar Portugal um centro mundial de telecomunicações óticas a partir de 2026. Perspetiva-se que atraia grandes empresas de telecomunicações como a AT&T, a Deustche Telekom ou a Vodafone. Os japoneses são os primeiros a entrar no projeto.

O Iscte anuncia a celebração de um protocolo com o Instituto Nacional de Tecnologia de Informação e Comunicação (NICT) para a realização de testes conjuntos, entre equipas nipónicas e da universidade portuguesa. A agência estatal é responsável por quebrar, em 2025, o recorde mundial de velocidade de internet usando fibras óticas, atingindo 1,02 petabits por segundo – o equivalente a baixar todo o catálogo da Netflix em menos de um segundo.

“É o primeiro grande gigante tecnológico mundial a formalizar a sua participação nos testes que vão ser realizados pelo Iscte no Metropolitano de Lisboa para, pela primeira vez, analisar o desempenho da transmissão de dados através de uma nova geração de fibras óticas multinúcleo em condições reais, replicadas pelo ambiente adverso de uma linha de metro”, explica Jorge Costa, vice-reitor do Iscte para a Investigação.

Yoshinari Awaji, diretor-geral do Photonic ICT Research Center do NICT, assume, na proposta dirigida aos responsáveis do Iscte, que o banco de testes oferece uma oportunidade única para testar fibras óticas multinúcleo em larga escala num ambiente subterrâneo realista como o do Metropolitano de Lisboa e diz acreditar que os testes do Iscte com o NICT “vão acelerar a descoberta de novos conhecimentos científicos” e a pesquisa e “o desenvolvimento de novas fibras e equipamentos relacionados para aplicações práticas relevantes”.

As fibras que o Iscte vai testar e que vão estar à disposição de todas as grandes tecnológicas mundiais são concebidas e fabricadas pelo parceiro industrial do projeto, o grupo alemão Heraeus Covantics, líder global em produtos de quartzo de alta pureza para a produção de fibra ótica.

Além do grupo alemão, são parceiros no banco de ensaios do Iscte, o Metropolitano de Lisboa, a Telcabo, empresa portuguesa instaladora do cabo de fibra multinúcleo, e o grupo italiano Tratos Cavi, responsável pelo cabo que envolve as fibras multinúcleo.

O “testbed” instalado na linha Amarela do Metropolitano de Lisboa tem um cabo com 74 fibras óticas multinúcleo: 64 delas com quatro núcleos e dez fibras com sete núcleos, totalizando 326 canais de transmissão de dados. Como as fibras estão ligadas entre si, atinge-se os 728 quilómetros com o mesmo tipo de fibra, o que representa 28 voltas completas ao longo de 26 quilómetros de anel, uma vez que a Linha Amarela tem 13 quilómetros entre a estação do metropolitano em Odivelas e a estação do Largo do Rato, no centro da capital.

Os testes e demonstrações de transmissão de dados serão coordenadas pelo Iscte nestas centenas de quilómetros de fibras embutidas no cabo de testes.

Sem contabilizar as fibras doadas pelos alemães, o projeto envolve 2,3 milhões de euros, dos quais 588 mil são fundos europeus do Programa Lisboa 2030. O restante é garantido pelo Iscte.

O investimento global na nova geração de fibras multinúcleo foi avaliado pela Business Research em 4,5 mil milhões de dólares em 2025, prevendo-se que atinja os 40 mil milhões em 2033.

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