André Macedo

Magnificus Horribilis rector

Magnífico horrível reitor: não estrague uma grande escola, deixe os estrangeiros interessarem-se por uma universidade com nome inglês que fica em Portugal e que é Made in Portugal.

A Nova School of Business and Economics tem cerca de 60% de alunos internacionais, num universo de sete mil, a maior parte vem da Alemanha. Em números redondos, isso coloca o total de alunos estrangeiros entre os 4.000 e os 4.200, distribuídos por 60 a 90 nacionalidades, consoante o segmento (licenciaturas, mestrados, etc.).

A ideia da Nova SBE (Carcavelos) nasceu na cabeça de Pedro Santa Clara – uma grande ideia. Como o projeto parecia apenas um delírio de um tipo ambicioso, um estrangeirado, o politburo da Nova lá deixou esta equipa de uma pessoa só para que tentasse imaginar e fazer o impossível. Ora bem, a Nova SBE acabou por tornar-se a mais internacional e premiada escola de gestão e de economia do país – embora não seja a única. E sabem que mais? Funcionou. Funciona. A Nova SBE tem ótimos professores e instalações magníficas (as doações das empresas foram essenciais). Traz estrangeiros para estudar em Carcavelos, alguns ficam por cá e com os portugueses puxam o país para a frente – uma das condições essenciais para que um país se desenvolva bem é precisamente ter uma academia forte, competente e livre – sem lóbis, como o dos antigos bloquistas (que passaram à história) e agora os do Livre, os novos reis da tertúlia.

Ora bem, a língua portuguesa tem de ser defendida dos atentados diários a que somos sujeitos. Não apenas o acordo ortográfico é uma excrescência cultural transvestida de objetivos económicos que só um louco poderia conceber, como é um facto que há um excesso de palavras estrangeiras que nos vão colonizando sem, entanto, nos enriquecer: por exemplo, implementar (já no dicionário) é uma delas, apesar de concretizar ser um sinónimo muito mais concreto e, por isso, bastante forte. Há certamente uma batalha a ter no muito empobrecido meio da publicidade – longe vão os tempos em que os curtos ou longos textos de vários criativos faziam-nos salivar pelo produto – procurem e leiam a série “Adelaide”, sobre um vinho do Douro, escrito pelo Pedro Bidarra. Na publicidade, e também no jornalismo, é preciso de facto uma lipoaspiração, mas não o é certamente na NOVA SBE. Mudar o nome de uma faculdade caraterizada pelo seu extraordinário alcance global não é nada isso, é vaidade e pura demonstração de poder, é autoritarismo de algibeira, é uma decisão sem pés nem cabeça, revanchista, que vai contra o interesse nacional.

Magnífico horrível reitor: não estrague uma grande escola, deixe os estrangeiros interessarem-se por uma universidade com nome inglês que fica em Portugal e que é Made in Portugal – mesmo que essa faculdade por vezes queira matar o pai (o Estado), tornando-o culpado por toda a nossa deseconomia nacional – tem responsabilidade, sim, mas a NOVA SBE é uma escola de pensamento, não um infantário para liberais tão vingativos como os outros.

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