Vanessa Taylor cresceu junto às bacias hidrográficas dos rios Mersey, Tamisa, Los Angeles e Stour. Esse convívio com cursos de água, mais ou menos imponentes, tê-la-á marcado. Queremos acreditar que sim. Ela, que se tornou historiadora dos rios, da água e do ambiente na Universidade de Greenwich, é considerada uma das maiores especialistas da história do rio Tamisa. Logo na introdução de “Sete Rios”, publicado pela Temas e Debates, Taylor explica que, por serem a nossa principal fonte de água, os rios tornam-se “fluxos familiares que atravessam as nossas paisagens, moldando os territórios a que demos nomes e as terras a que pertencemos”. A identidade de um curso fluvial acaba por confundir-se, inevitavelmente, com a história daqueles que habitam as suas margens.

Nilo, Danúbio, Níger, Mississípi, Ganges, Yangtzé e Tamisa. Sete “personagens”, ou melhor, sete narradores de uma história mundial comum e conflituosa. Estes rios funcionaram como bases de poder para impérios e, enquanto fronteiras, foram motivo para guerras. As suas bacias hidrográficas foram pilhadas pelo seu ouro, madeira, sal, petróleo, borracha e seres humanos. Vastas redes se forjaram entre uns e outros, como a mortífera ‘passagem do meio’ do comércio esclavagista que ligava a bacia do Níger à do Mississípi. No cerne da história estão impérios e os seus deuses fluviais – os chineses, romanos, hindus e mogóis, os Habsburgos e os otomanos, mas, também, o povo do Níger desde a era dourada do Mali até aos dias de hoje, as lutas de vida ou morte no Mississípi e a perda do poder dos britânicos sobre os rios dos seus súbditos imperiais rebeldes.