Líder da NATO irrita europeus com apoio à guerra de Trump

Mark Rutte mostrou o seu apoio aos ataques dos EUA ao Irão e defendeu o envolvimento da Europa. Europeus não gostaram e consideram que o neerlandês mostra-se muito próximo das posições de Trump.

Líder da NATO irrita europeus com apoio à guerra de Trump
epa11634956 New NATO Secretary General Mark Rutte gives his first press conference after he succeeds Jens Stoltenberg as NATO Secretary General, at the Alliance headquarters in Brussels, Belgium, 01 October 2024. Former Dutch Prime Minister Mark Rutte succeeds Jens Stoltenberg as Secretary General of the North Atlantic Treaty Organization (NATO) on 01 October 2024 after the latter's ten years at the helm of the Alliance. EPA/OLIVIER HOSLET

Anda uma irritação no ar entre os membros europeus da NATO e o líder da organização pelo apoio dado à guerra dos EUA contra o Irão.

Mark Rutte defendeu que os aliados europeus deveriam “juntar-se” para apoiar os EUA na reabertura do estreito de Ormuz, o que causou a irritação de vários países.

O ex-primeiro-ministro neerlandês tem mostrado posições muito próximas às de Washington e de Donald Trump ao longo do seu mandato.

“Coloca-nos numa posição muito estranha e desconfortável. Queremos mostrar apoio, mas não queremos estar envolvidos” na guerra, disse um diplomata europeu ao “Financial Times”.

“Trump está a fazer isto para tornar o mundo um lugar mais seguro. É apenas lógico que os países europeus demorem umas semanas para juntarem-se”, afirmou Mark Rutte recentemente sobre a criação de uma missão naval para reabrir o estreito de Ormuz.

Donald Trump, que tem sido um feroz crítico do multilateralismo, defendeu que os países aliados deviam apoiá-lo nos seus esforços para reabrir a via marítima por onde passava 20% do petróleo mundial.

A guerra lançada contra o Irão foi uma decisão unilateral dos EUA e de Israel, não se inserido no mandato nem das Nações Unidas, nem da NATO, nem tendo sido aprovado no Congresso norte-americano.

A atual crise energética é apenas uma das muitas consequências negativas da guerra, prevendo-se impactos negativos no crescimento económico e o aumento do custo de vida via inflação.

Trump foi duro nas suas críticas aos europeus, chamando-lhes “cobardes” e que a NATO sem os EUA era inofensiva.

Dos 27 estados-membros da União Europeia, apenas três não são membros da NATO. Entre os maiores países da UE, vários rejeitaram a entrada no conflito, incluindo Espanha, Alemanha e Itália.

“Esta não é a nossa guerra”, disse a chefe dos diplomatas da UE Kaja Kallas, resumindo o espírito europeu.

Ao “FT”, três diplomatas europeus de membros da NATO dizem estar preocupados com as divergências entre Mark Rutte e a maioria das capitais europeus. Apesar de não criticarem as ações de Trump, também não se querem envolver na guerra.

“Esta guerra é um desastre político. Isto é o que mais me frustra: uma guerra realmente desnecessária”, afirmou o presidente alemão Frank-Walter Steinmeier.

A atitude de Paris e de alguns países tem sido diferente, tendo mostrado vontade num envolvimento numa missão naval no estreito, mas quando a guerra acabar. No entanto, há críticas a chegar do Eliseu. Os EUA “estão a ficar imprevisíveis e nem sequer se incomodam a informar-nos quando decidem lançar operações militares, com impacto na nossa segurança e nos nossos interesses”, segundo o chefe do Estado Maior das Forças Armadas franceses, Fabien Mandon.

Os países do G7 reúnem-se em França na sexta-feira, onde o ministro da Defesa dos EUA Marco Rubio irá estar presente.

Mas há países que consideram que a guerra deve ser uma preocupação clara da Europa, dadas as consequências económicas negativas. “As consequências são nossas, o conflito também é”, segundo um alto responsável, com vários países europeus em contacto com países do Médio Oriente para tentar encontrar uma solução diplomática.

Por sua vez, a NATO oficialmente diz que a organização “não está envolvida na guerra com o Irão”, estando atenta aos desenvolvimentos.

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