Keir Starmer demite-se da liderança do Governo do Reino Unido

Numa declaração pelas 09:30 junto à residência oficial no número 10 de Downing Street, Starmer indicou que o sucessor deverá estar em funções em setembro.

Keir Starmer demite-se da liderança do Governo do Reino Unido
Neil Hall/EPA

O primeiro-ministro e líder trabalhista, Keir Starmer, anunciou esta segunda-feira a demissão da liderança do Governo britânico. A demissão tornou-se efetiva após um discurso dirigido à nação esta segunda-feira, depois de alguns meses de fragilidade política, com a demissão de vários ministros do seu executivo. Numa declaração pelas 09:30 junto à residência oficial no número 10 de Downing Street, Starmer indicou que o sucessor deverá estar em funções em setembro.

Mas o calendário pode ser encurtado, até porque o país e os trabalhistas não têm nenhum interesse em passar o verão arrastando uma crise política que persiste há muito. Caso não haja oposição no seio do próprio partido – e não deverá haver – é de esperar que Andy Burnham assuma o cargo de primeiro-ministro dentro de cerca de um mês. Keir Starmer afirmou que o órgão diretivo do Partido Trabalhista – o Comité Executivo Nacional (NEC) – abrirá as inscrições em 9 de julho e que o processo será concluído nos dias seguintes. Membros do NEC confirmaram ao jornal ‘The Guardian’ que Burnham pode tornar-se primeiro-ministro a 17 de julho. Se houver disputa interna, tudo pode arrastar-se até setembro.

Três nomes circulam nos bastidores do Partido Trabalhista como potenciais candidatos: para além de Andy Burnham – que acaba de ser eleito parlamentar, condição necessária para substituir o primeiro-ministro, estão na ‘linha de partida’ Wes Streeting, ex-ministro da Saúde, representante da ala de centro-direita do partido, e Angela Rayner, ex-vice de Starmer, figura de proa da esquerda do partido. Sondagens recentes do YouGov e da Ipsos mostram que Burnham é a figura trabalhista com melhor imagem junto do público britânico, ultrapassando largamente Wes Streeting e Angela Rayner, o que o coloca numa posição ideal para ganhar a corrida interna – que, dizem alguns analistas, pode nem sequer acontecer: a união é torno de uma figura em vez de uma disputa interna pelo lugar de Starmer é, politicamente, o melhor para o partiido.

Keir Starmer, cuja impopularidade é refletida nas sondagens, estava sob intensa pressão interna para se demitir na sequência de vários erros políticos e depois de maus resultados nas eleições locais e regionais de maio passado. Keir Starmer foi eleito há 23 meses com uma maioria absoluta nas eleições legislativas, mas o mandato como primeiro-ministro tem sido marcado por controvérsias e recuos políticos.

Uma das controvérsias mais grave foi a nomeação de Peter Mandelson para embaixador britânico nos Estados Unidos, apesar de, supostamente, Starmer saber (e se não sabia, devia saber, dizem os seus críticos) que Mandelson manteve contacto com o pedófilo norte-americano Jefrey Epstein depois de este ter sido condenado em 2008 por aliciar uma menor de 14 anos.

Mas a questão da economia prevalece: a fraca prestação do Reino Unido ao longo de todo o mandato de Keir Starmer esvaziou rapidamente o enorme capital político da sua vitória de 2024 – a maior é décadas – e colocou-o numa posição de grande fragilidade. A economia está ‘refém’ da inflação, ao mesmo tempo que existem dificuldade na criação de postos de trabalho, a dívida soberana disparou (principalmente o serviço da dívida, o que mostra a pouca confiança dos investidores) e o défice que, no ano passado, ascendeu aos 4,3% do PIB é apenas mais um problema. Como o é também a falência de uma série de serviços públicos (com a Saúde em destque). Só para piorar, os independentistas permanecem em bom plano na Escócia e ganharam um novo fôlego no País de Gales (nas eleições de maio), o que é sempre uma inevitável fonte de dores de cabeça (políticas e físicas) para quem estiver de passagem por Downing Street.

Os maus resultados nas eleições locais e regionais de maio desencadearam uma série de demissões no Governo e declarações de cerca de 100 deputados a pedir a saída do atual primeiro-ministro. Starmer é bastante impopular junto de grande parte da população e o Partido Trabalhista caiu nas sondagens, lideradas pelo Partido Reformista, formação de extrema-direita e anti-imigração, há quase dois anos.

O potencial sucessor de Starmer será o sétimo primeiro-ministro em 10 anos.

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