José Maria Ricciardi, ex-presidente do Banco Espírito Santo de Investimento (BESI), em entrevista à “CNN/TVI”, mantém a versão de que o primo Ricardo Salgado o informou sobre a influência na nomeação de Manuel Pinho para ministro da Economia, junto de José Sócrates. O que terá sido considerado decisivo pelo tribunal no caso EDP. Recorde-se que Manuel Pinho foi condenado a 10 anos de prisão, enquanto Ricardo Salgado viu ser-lhe aplicada uma pena de seis anos e três meses por crimes de corrupção ativa e passiva e branqueamento de capitais no caso EDP.
José Maria Ricciardi mostrou-se surpreendido por o seu testemunho ter sido decisivo neste caso.
“Os tribunais fazem sempre justiça” disse Ricciardi.
Numa entrevista exclusiva à “CNN Portugal”, o ex-presidente do BESI lembra ainda a sua quase demissão do BES . “Preparou-se o conselho de administração do BES para a minha demissão”, lembrou o ex-banqueiro. “Mas depois Ricardo Salgado mudou de ideias, no entanto sobre isso não vou falar”, referiu o ex-banqueiro.
O julgamento do caso BES está marcado para setembro. Recorde-se que o julgamento de Ricardo Salgado e restantes arguidos do caso do BES voltou a ser adiado. Estava marcado para o dia 18 de junho mas, segundo comunicado do Conselho Superior da Magistratura (CSM), a primeira sessão não irá acontecer antes de 10 de setembro.
Das mais de 60 acusações de que é alvo Ricardo Salgado, mais de 40 podem prescrever até 2025 e provavelmente irão prescrever. Questionado sobre isso e sobre os mais de 10 mil milhões de euros que custou à economia a queda do BES, o ex-banqueiro lembrou que “este é o maior processo da História, e é normal o tempo que está a demorar”. José Maria Ricciardi vai ser testemunha do Ministério Público no caso BES.
“Hoje em dia vejo a vida de maneira diferente” disse José Maria Ricciardi. Sobre o seu primo Ricardo Salgado disse que “não lhe desejo mal nenhum, mas estou triste por se ter destruído um grupo que tinha 150 anos”. “Os investidores acreditavam no BES”, lembrou o ex-banqueiro de investimento.
“A venda do BESI rendeu um bom encaixe ao Novobanco, que nunca mais fez nenhum negócio desta dimensão”, referiu Ricciardi.
O Novobanco vendeu o BESI por 379 milhões de euros em 2014. O Haitong pagou ainda os 750 milhões para pagar as linha de empréstimo que existiam entre o BESI e o Novobanco, o que perfaz 1,129 mil milhões de euros, valor aproximado ao que o ex-presidente do BESI fez referência na entrevista.
Sobre “as dificuldades” da família Espírito Santo, reconheceu que “já não é o que era”, mas face ao comum dos portugueses “não vivem mal”.
Em termos de comentário político Ricciardi diz que não vê onde está o dinheiro para fazer as grandes obras no país.
O ex-banqueiro defendeu ainda o regresso de Pedro Passos Coelho à vida política.
Entre os líderes “de coragem” elegeu Mário Soares, Francisco Sá Carneiro, Aníbal Cavaco Silva e Passos Coelho.
Na entrevista à “CNN Portugal” questionou também o conceito de liberdade, 50 anos depois do 25 de abril, nomeadamente porque uma grande parte das pessoas ganham até mil euros por mês. “Essa gente terá uma grande liberdade?”, questionou.
É preciso reformar o Estado, defendeu o ex-banqueiro que não reconhece “coragem” aos atuais líderes políticos para fazer essa reforma estrutural.
“Sem diminuir a dimensão do Estado não é possível fazer uma redução estrutural dos impostos para as famílias e para as empresas”, disse.
“Como não há muito capital em Portugal é fundamental que fiquemos um país competitivo para atrair investimento estrangeiro para atividades de muito valor acrescentado, o que implica fixar mão de obra altamente qualificada. Estamos a exportar os bons quadros qualificados e a atrair a mão de obra não qualificada, que ainda que necessária não substitui a anterior”, defendeu.