Israel: cessar-fogo temporário pode ser anunciado em poucas horas

Depois do adiamento decidido durante a noite passada, a comunidade está na expectativa de saber se o acordo é ou não para cumprir.

Israel: cessar-fogo temporário pode ser anunciado em poucas horas
Lusa

Uma fonte da Autoridade Palestiniana disse à AFP que o atraso na implementação da trégua em Gaza se deve a detalhes de “última hora” sobre quais reféns serão libertados e como. Ao mesmo tempo, fontes próximas das negociações sobre o acordo disseram no Qatar que “nas próximas horas” haverá novidades sobre o assunto.

Recorde-se que o calendário inicial um cessar-fogo temporário para esta manhã, que foi cancelado na noite passada. O cancelamento ficará assim a dever-se “aos nomes dos reféns israelitas e das modalidades da sua libertação”. Israel exigiu a libertação de todas as crianças detidas em Gaza, bem como das suas mães, embora o Hamas tenha indicado que não sabe o paradeiro de todas elas.

A mesma fonte disse que estão a ser levantadas questões sobre o acesso da Cruz Vermelha aos reféns antes de eles sejam libertados e também se a instituição terá ou não acesso aos que permanecem no cativeiro. Quando o cessar-fogo entrar em vigor, será anunciado pelo mediador Qatar, “em coordenação com os egípcios e os norte-americanos, nas próximas horas”, acrescenta aquela fonte, citada pelos jornais israelitas.

Esta quarta-feira, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que o acordo incluía a promessa de que a Cruz Vermelha visitaria os reféns que não forem libertados, algo que a própria organização disse desconhecer.

Numa conferência de imprensa ontem à noite, Netanyahu reiterou que uma cláusula do acordo inclui visitas da Cruz Vermelha, e leu um documento em hebraico que garantiu o seu envolvimento, acrescentando que “a Cruz Vermelha faz parte do acordo” – conforme acordado por Israel “e pelo outro lado”.

“Portanto, espero que a Cruz Vermelha aja de acordo com essa cláusula”. “O Hamas pode não o honrar, mas é impensável que a Cruz Vermelha não o exija… se a Cruz Vermelha não sabia, sabe agora”, disse o primeiro-ministro, para espanto dos comentadores e analistas.

Entretanto, o novo ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, o antigo primeiro-ministro David Cameron, está em Israel, onde visitou o kibutz Be’eri, perto da fronteira com Gaza. “Eu mesmo queria vir aqui para ver a natureza horrível dos ataques que vocês sofreram em 7 de outubro – e eles são absolutamente horríveis”, disse, ao lado do ministro das Relações Exteriores isarelita, Eli Cohen.

“Quer dizer, o terrorismo, pais baleados na frente dos filhos, crianças baleadas na frente dos pais. Ouvi e vi coisas que, obviamente, nunca esquecerei, e é importante entendermos isso”, afirmou, citado pela imprensa israelita.

Cameron reiterou que a “pausa humanitária” programada é “importante porque é uma oportunidade para retirar reféns e obter ajuda” e que pretende reunir com autoridades e familiares de reféns durante a sua viagem.

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