Teerão reabre totamente estreito de Ormuz

"Em consonância com o cessar-fogo no Líbano, declara-se totalmente aberta a passagem de todos os navios mercantes pelo estreito de Ormuz durante o resto do período de cessar-fogo", afirmou Abbas Araghchi numa mensagem nas redes sociais

Teerão reabre totamente estreito de Ormuz
Trump impõe novo bloqueio ao Estreito de Ormuz

O ministro das Relações Exteriores do Irão, Abbas Araqchi, afirmou nas redes sociais que a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está “declarada totalmente aberta” durante o período restante do cessar-fogo, em consonância com o cessar-fogo no Líbano. O acordo de cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irão expira nesta terça-feira – mas, esta semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que estenderia esse período por mais duas semanas. Neste contexto, não ficava claro se o Irão manteria o Estreito aberto até à próxima terça-feira, ou se o fará também durante as duas semanas de alargamento.

Entretanto, o regime de Teerão veio sanar algumas dúvidas, ao adiantar que o Estreito se manterá aberto até ao final do cessar-fogo entre Israel e o Líbano. Isso indica que a suspensão do bloqueio deverá dar-se durante dez dias. Mas convém não esquecer que, já esta sexta-feira, o Líbano acusou Israel de já ter quebrado o cessar-fogo – não aguentou um dia – o que leva a concluir-se que a decisão de abrir o Estreito é uma forma de exercer pressão sobre os Estados Unidos para que Washington faça a sua parte de pressão sobre Israel.

Como se sabe, no executivo do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, há vários ministros que são contra o cessar-fogo com o Líbano, preferindo, ao contrário, que o Estado hebraico leve até ao fim a erradicação do movimento radical Hezbollah. O governo israelita só aceitou subscrever o acordo depois de uma elevada dose de pressão de Trump, que percebeu que não consegue convencer o Irão a sentar-se á mesa das negociações se a guerra no Líbano não fizer parte da agenda.

No meio da questão, fica em suspenso a possibilidade de, se se continuarem a verificar violações do cessar-fogo no Líbano, o Estreito de Ormuz voltar a fechar. A notícia veio trazer a esperança de que a crise energética que assola o mundo desde 28 de fevereiro tenha ficado para trás – mas parece ser ainda demasiado cedo para se perspetivar essa eventualidade.

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