Irão envia resposta à proposta de paz dos Estados Unidos

Imprensa iraniana deixa antever que o regime de Teerão terá aceitado parar a guerra e seguir para negociações mais específicas a partir daí. Os dados estão agora do lado da presidente Donald Trump. Entretanto, o Irão exige que França e Reino Unido se mantenham quietos.

Irão envia resposta à proposta de paz dos Estados Unidos
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A imprensa iraniana noticiava este domingo que o Irão apresentou formalmente aos mediadores paquistaneses a sua resposta à mais recente proposta dos Estados Unidos, “que visa pôr fim à guerra de agressão contra o país” – e recordava que o plano proposto pela Casa Branca visava um foco exclusivo na cessação das hostilidades na região. A perceção era que o Irão estaria de acordo com este calendário – que, aliás, era uma sua exigência já antiga: parar a guerra e, a partir daí, debater os temas principais, entre eles a solução para o impasse no estreito de Ormuz e a questão da agenda nuclear iraniana.

O assunto está agora nas mãos dos Estados Unidos, uma vez que fontes paquistanesas citadas pela rede Aljazzera disseram que a resposta do Irão já tinha sido enviada para aa Casa Branca.

Domingo não passou sem que um novo sobressalto ocorresse: o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão ameaçou França e Reino Unido, depois de os dois países europeus terem enviado navios para a zona do Estreito de Ormuz. “Qualquer envio e implantação de contratorpedeiros extrarregionais ao redor do Estreito de Ormuz, sob a alegação de ‘proteção da navegação’, não é nada mais do que uma escalada da crise, a militarização de uma via marítima vital e uma tentativa de encobrir a real raiz da insegurança na região”, escreveu Kazem Gharibabadi nas redes sociais. “Nesse sentido, ressalva-se que a presença de navios franceses e ingleses, ou de qualquer outro país, para possível acompanhamento das ações ilegais e contrárias ao direito internacional dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz, enfrentará uma resposta firme e imediata das forças armadas da República Islâmica do Irão”, conclui.

Perante a ameaça de que os navios franceses e britânicos passavam a constituir um alvo potencial para as forças iranianas, o presidente francês, Emmanuel Macron, apressou-se a clarificar a situação. A partir de Nairobi, no Quénia, pais onde se encontra de vista, Macron afirmou que a França se opõe a qualquer bloqueio no estreito, independentemente de vir dos Estados Unidos ou do Irão, e rejeita a imposição de portagem para salvaguardar a liberdade de navegação.

“Nunca houve qualquer dúvida sobre um destacamento, mas estamos prontos”, disse Macron. E recordou que a França ajudou a construir uma missão específica com o Reino Unido, reunindo cerca de 50 países e organizações internacionais para apoiar a segurança marítima. “Criámos uma missão ad hoc, coliderada com os britânicos, que reuniu 50 países e organizações internacionais para possibilitar, em conjunto com o Irão e resolvendo conflitos com todos os países da região e os Estados Unidos, o regresso do tráfego marítimo assim que as condições permitirem”, disse Macron. Ou seja, não há qualquer intenção de os vasos de guerra franceses e britânicos entrarem em conflito direto com as forças militares do Irão.

Recorde-se que França e o Irão mantêm contactos de alto nível, no início da semana passada, o presidente iraquiano Masoud Pezeshkian revelou ter conversado com Macron sobre o Estreito de Ormuz e o andamento do acordo de cessar-fogo e das negociações com os Estados Unidos. Pezeshkian disse ter deixado claro que desconfia dos Estados Unidos, dadas as suas ações hostis, cujos exemplos incluem dois ataques ao Irão enquanto as negociações estão em andamento. Pezeshkian também enfatizou que a República Islâmica, operando dentro da estrutura das leis e regulamentos internacionais, está pronta para usar seriamente os canais diplomáticos para pôr fim à guerra, insistindo, ao mesmo tempo, em garantir os direitos da nação iraniana.

Entretanto, o jornal norte-americano Axios dava conta de que o secretário de Estado Marco Rubio e o enviado especial da Casa Branca Steve Witkoff reuniram no sábado, em Miami, Flórida, com o primeiro-ministro do Qatar, Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, como parte dos esforços para chegar a um acordo para encerrar a guerra no Irão. O encontro seria parte de um esforço geral para que, desta vez, a possibilidade de paz não seja desprerdiçada.

Algures durante a tarde de domingo, mas numa altura em que já se sabia que o Irão tinha enviado a sua resposta para o Paquistão, Donald Trump escrevia nas redes sociais: “O Irão joga com os Estados Unidos e o resto do mundo há 47 anos (DEMORA, DEMORA, DEMORA!), e finalmente encontrou a mina de ouro quando Barack Hussein Obama se tornou presidente. Ele não só foi bom para eles, como foi ótimo, ficando do lado deles, abandonando Israel e todos os outros aliados, e dando ao Irão uma nova e poderosa sobrevida. Centenas de bilhões de dólares, e 1,7 biliões de dólares em dinheiro vivo, foram entregues de bandeja em Teerão. Todos os bancos em Washington D.C., Virgínia e Maryland foram esvaziados — era tanto dinheiro que, quando chegou, os bandidos iranianos não faziam ideia do que fazer com ele. Eles nunca tinham visto tanto dinheiro, e nunca mais veriam. Foi retirado do avião em malas e sacos, e os iranianos não conseguiam acreditar na própria sorte. Eles finalmente encontraram o maior otário de todos, na figura de um presidente americano fraco e estúpido. Ele foi um desastre como nosso ‘Líder’, mas não tão mau quanto o Joe Biden, o Sonolento! Por 47 anos, os iranianos enganaram-nos, fizeram-nos esperar, mataram o nosso povo com as suas bombas à beira da estrada, destruíram protestos e, recentemente, dizimaram 42 mil manifestantes inocentes e desarmados, rindo do nosso país, agora GRANDE NOVAMENTE. Eles não vão rir-se mais!”

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