Várias fontes citadas pelas agências de notícias internacionais afirmam que o Irão já recebeu cópia do acordo de 15 pontos proposto pelos Estados Unidos, mas a Al Jazzera é a única a avançar que já houve uma primeira reação. Segundo aquela fonte, os iranianos consideram o acordo excessivo nas exigências colocadas pelos norte-americanos, mas não especifica quais as partes que seriam mais dificilmente aceites pelo regime teocrata.
Sobre o que não há dúvidas é do desconforto que o plano causou em Telavive. Os israelitas, referem os jornais do país, ficaram em sobressalto com a forma como os norte-americanos querem gerir a posse de energia nuclear pelo Irão e com a vontade de não impedir de imediato que os iranianos mantenham a posse de mísseis balísticos.
É neste quadro que o governo de Benjamin Netanyahu tem agido como se, de alguma forma, de nada soubesse: os ataques ao Irão e ao Líbano continuaram ao longo do dia e vários responsáveis políticos e militares disseram que estes ataques são para continuar até que os objetivos do Estado hebraico sejam atingidos. Ora, como esses objetivos indicam o fim da estrutura teocrática do Estado iraniano, a impossibilidade de acesso a energia nuclear e a destruição dos mísseis, pode suceder, no limite, uma paz acordada entre o Irão e os Estados Unidos, mas a continuação da guerra entre o Irão e Israel.
Como é costumeiro dos lados da Casa Branca, Trump elevou a tensão ao afirmar que está pronto para “desencadear o inferno” no Irão se Teerão não aceitar o acordo. “Se o Irão não aceitar a realidade do momento atual, se não entender que foi derrotado militarmente e continuará a ser, o presidente Trump garantirá que seja atingido com mais força do que jamais foi”, disse a secretária de imprensa Karoline Leavitt. “O presidente Trump não faz bluff e está a preparar-se para desencadear o inferno. O Irão não deve errar nos cálculos novamente”.
Resta saber se terá mesmo sido o Irão a errar nos cálculos. Os analistas consideram que as propostas do plano para a paz vão mais longe que aquilo que era exigido pelos Estados Unidos nas negociações bilaterais indiretas que os dois países mantinham à data do início dos ataques, a 28 de fevereiro passado. Ou seja, o facto de um mundo ter entrado em sobressalto com o encerramento do Estreito de Ormuz ofereceu um inesperado trunfo ao regime iraniano, que viu o resto do mundo a invetivar Trump para que acabe com a guerra, ao invés de se colocar do seu lado e contra o Irão.
Entretanto, Maryam bint Ali bin Nasser Al Misnad, ministra de Estado para a Cooperação Internacional do Qatar, saudou a adoção, pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, da resolução “relativa às implicações para os direitos humanos resultantes dos ataques iranianos injustificados” contra os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) e a Jordânia.
Al Misnad “considerou a resolução um passo importante que incorpora o consenso internacional sobre a rejeição de ataques contra civis e bens civis”, segundo comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar nas redes sociais.
Al Misnad reiterou ainda a “forte condenação do Qatar aos ataques iranianos injustificados, reafirmando o seu pleno direito de defender a soberania e proteger a segurança e os interesses nacionais, em conformidade com o artigo 51.º da Carta das Nações Unidas”, referia o comunicado.
Jasem Mohamed Albudaiwi, secretário-geral do CCG, também “saudou a adoção” da resolução, de acordo com uma publicação nas redes sociais.