AIE revê em baixa previsões da oferta e procura de petróleo para o resto do ano

No relatório mensal sobre o mercado do petróleo, publicado hoje, a organização salientou que a crise no Médio Oriente reduziu as reservas mundiais em 69 milhões de barris (mb) em julho, ficando abaixo dos 7.900 mb pela primeira vez desde abril de 2025.

AIE revê em baixa previsões da oferta e procura de petróleo para o resto do ano
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A Agência Internacional da Energia (AIE) reviu em baixa a previsão sobre a oferta e a procura mundial de petróleo para o resto deste ano, na sequência do conflito no Médio Oriente e da subida acentuada dos preços dos hidrocarbonetos.

No relatório mensal sobre o mercado do petróleo, publicado esta quarta-feira, 12 de agosto, a organização salientou que a crise no Médio Oriente reduziu as reservas mundiais em 69 milhões de barris (mb) em julho, ficando abaixo dos 7.900 mb pela primeira vez desde abril de 2025.

Desta forma, a AIE sublinhou que é necessário garantir que esta via estratégica seja reaberta o mais rapidamente possível.

Em julho, a produção dos países do Golfo Pérsico aumentou 2,5 milhões de barris por dia (mb/d), atingindo os 23,9 mb/d, na sequência do acordo de cessar-fogo assinado no mês anterior por Washington e Teerão, de qualquer forma menos do que os volumes anteriores ao início da guerra.

No entanto, novos ataques voltaram a paralisar o tráfego no estreito de Ormuz, levando as exportações dos países dessa região a diminuir em 2,1 mb/d em julho, ficando numa média de 15 mb/d.

Passaram de 20 mb/d no início do mês para cerca de 12 mb/d no final de julho.

A partir daí, os autores do relatório reduziram em 1,7 mb/d as previsões de oferta mundial para o terceiro trimestre, em comparação com as que apresentaram há um mês.

Isso significa que, no conjunto deste ano, serão colocados no mercado, em média, 102 mb/d de petróleo, o que representa menos 4,3 mb/d do que em 2025, porque o aumento da produção dos países produtores da América, estimado em 1,4 mb/d, não permitirá compensar as perdas dos países do Médio Oriente.

O equilíbrio entre oferta e procura resultará num défice de 1,8 mb/d no terceiro trimestre, mais do dobro do que a AIE tinha calculado em julho.

Ainda assim, a agência está confiante de que a situação irá normalizar-se a partir do final de 2026, altura em que esse equilíbrio deverá inverter-se, e que, em 2027, a oferta dará um salto de 8,3 mb/d, atingindo os 110,3 mb/d, mas admite que os riscos continuam a ser “substanciais” e insiste que a queda nas reservas aumentou a urgência de reabrir o estreito de Ormuz.

Os autores do relatório reviram ainda em baixa as expectativas relativamente à procura de petróleo em 550.000 barris por dia, em comparação com as que tinham anunciado em junho, porque os preços elevados estão a exercer pressão sobre as utilizações do petróleo.

Na prática, o consumo registou uma contração de 4,9 mb/d durante o segundo trimestre e deverá registar uma contração de 2,8 mb/d no terceiro trimestre, antes de se esperar uma ligeira recuperação de 580.000 barris por dia nos últimos três meses do exercício.

Essa tendência deverá manter-se em 2027, com um aumento de 2,4 mb/d.

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