Longe vão os tempos em que a aposta em fundos de investimento socialmente responsáveis era encarada como uma mera tendência ou uma ação de mentes bem-intencionadas.
Em vez disso, assistimos hoje ao desenvolvimento da chamada economia positiva, e é por isso que faz sentido afirmar que os referidos fundos vieram para ficar. Mas atenção: trata-se de investir no longo prazo. Longo prazo são as duas palavras-chave aqui, a que se acrescenta a perspetiva de que os fundos socialmente responsáveis, em média, não têm um desempenho inferior aos fundos tradicionais.
Uma estratégia socialmente responsável é aquela que considera todas as vantagens de investimento bem-sucedidas e vai de mãos dadas com a governance socialmente responsável. É um padrão comum para os investidores nesta área acreditar que, ao aderir a certos critérios sociais com padrões de investimento precisos, serão capazes de identificar títulos que possam gerar retornos competitivos e ajudar a construir um mundo melhor.
A gestão de ativos da OFI Asset Managament tem as suas raízes numa economia social. Passo a passo, o nosso desafio é identificar oportunidades em que cada organização humana possa criar riqueza, respeitando os princípios do investimento responsável.
Concentramo-nos em áreas-chave como na governação corporativa e as práticas éticas, nas mudanças climáticas, e nos investimentos de impacto positivo. Em última análise, o objetivo também é que haja uma convergência entre um triângulo de três players: Estado, empresa e consumidor.
Uma questão que pode inquietar o leitor que acompanha os temas de investimento é o porquê dos principais intervenientes não estarem a investir na economia positiva e em fundos socialmente responsáveis: se os fundos SRI são socialmente mais amigáveis e alinhados com o mundo que muitos de nós procuramos; se os retornos financeiros puderem ser assimilados aos de investimento mais tradicionais; se encontrarmos um número constante de áreas-chave que permitem a diversificação, não será este um investimento óbvio e vantajoso? A resposta reside num aspeto-chave já mencionado: acabar com os resultados a curto prazo na indústria financeira.
A pressão constante para que fundos e empresas superem os níveis de referência a cada trimestre pode prejudicar investimentos socialmente responsáveis e sustentáveis. A maioria deles exige muitas vezes horizontes de longo prazo para alcançar um lucro maior, tanto em termos de ganhos, como em termos de realizações em prol do desenvolvimento.
Como qualquer coisa que valha a pena na vida, os retornos financeiros de investimentos responsáveis levam tempo. Um espaço de tempo que normalmente é superior a um período de dez anos. A boa notícia neste cenário é que, de acordo com o grupo Focusing Capital on the Long Term (grupo dedicado à luta contra os resultados imediatos e de curto prazo nos negócios), o número de empresas do S&P 500 que oferecem orientação trimestral caiu de 36% em 2010 para 28% no último ano.
Muitos investidores começaram a pedir às empresas que interrompessem as orientações trimestrais, de forma a terem mais flexibilidade para atingir as metas de longo prazo, e sem se distrair com as pressões de curto prazo. Algo que pode desencorajar os investimentos em produtos virados para o futuro e num desenvolvimento mais sustentável. Tal como será o do investimento em determinada política de mudança climática, por exemplo.
Esta é uma mudança de mentalidade que pode afastar uma das maiores desvantagens dos objetivos de desenvolvimento financeiro: uma maior quantidade de dinheiro direcionada para a economia positiva e para os investimentos sustentáveis – que antigamente eram considerados um nicho, mas que rapidamente se tornaram fundos de investimento predominantes.
Em consonância com uma comunidade mais responsável e desenvolvida, os nossos objetivos serão, em última instância, os da natureza humana e um passo em direção a um mundo que certamente fará mais sentido.