Inteligência Artificial? “Portugal está bem posicionado num campeonato que está agora a começar”, afirma especialista

Juan Landeira, responsável na A&M INFRA considera que o país já está a lutar para a próxima fase da competição por serviços de IA, mas que é fundamental cumprir os prazos dos contratos com as empresas para que os negócios não sejam comprometidos. Daniela Silva e Sousa, General Counsel na Start Campus, assume que o projeto tem tido "desafios no licenciamento", mas quer distinguir-se pela sua dimensã e pela sustentabilidade.

Inteligência Artificial? “Portugal está bem posicionado num campeonato que está agora a começar”, afirma especialista
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Numa altura em que o mundo tecnológico se torna cada vez mais competitivo fruto da Inteligência Artificial (IA), nomeadamente no segmento de serviços, Portugal surge como um dos países com mais e melhores condições para integrar esta competição. “É um campeonato que está agora a começar. Portugal está muito bem posicionado e tem ativos relevantes para estar nesta liga”, referiu Juan Landeira, Sustainability & Resilient Infrastructure na A&M INFRA no painel ‘centros de dados e economia digital, inserido na conferência “Impulso Local”, integrada no ciclo “Capital Económico do Sul”, organizada pelo Jornal Económico e que decorre esta segunda-feira no auditório do Centro de Artes de Sines, uma iniciativa que pretende colocar o município no centro do debate sobre o futuro económico de Portugal.

No entanto, o responsável avisa que é fundamental cumprir os prazos dos contratos com as empresas para que os negócios não sejam comprometidos. “O time to market é o principal drive de investimento. Os contratos que são feitos com as empresas tem clausulas muito restritas sobre o cumprimento de prazos que podem comprometer os negócios. Portugal já está a lutar para a próxima fase da liga”, afirmou.

O responsável acredita que Sines pode ser um polo industrial e de tecnologia de ponta durante a próxima década, mas que para isso é preciso atravessar alguns obstáculos. “Onde os projetos falham é no facto de envolverem pouco as comunidades. O oposto disso é a comunidade exigir contrapartidas que não agregam valor. É preciso definir esse valor em conjunto com a cidade”, reiterou.

Presente neste painel esteve também Daniela Silva e Sousa, General Counsel na Start Campus, projeto que contempla um investimento de 8,5 mil milhões de euros e que segundo a responsável tem tido muitos desafios de licenciamento, “o que é normal”, tendo em conta a sua dimensão.

“Se conseguirmos executar este projeto, seremos uma referência pela dimensão, mas também pela sustentabilidade. Mas é preciso que exista consciência que é preciso previsibilidade nestes processos”, salientou.

Um projeto que por ser o primeiro, tem de acordo com Daniela Silva e Sousa o propósito de ser mais ambicioso. “O primeiro edifício apesar do tamanho foi estimado no início para ter 14 megawatts. Hoje em dia tem 36,5 megawatts na mesma pegada física. O nosso projeto tem um design que facilita essa flexibilidade de adaptar os clientes. Os nossos clientes sabem que podem instalar-se num edifício, mas podem expandir-se para qualquer um dos seis edifícios”, sublinhou.

Questionada sobre o que tem trazido a Start Campus a Sines, a responsável destacou o investimento na parte educacional com a parceria entre várias universidades. “Temos ido buscar portugueses que se formaram lá fora para trabalharem em projetos como o nosso”, realçou.

Por outro lado, ao ser um grandes consumidores de energia, a empresa fez uma parceria com a EDP para garantir que não perturba a estabilidade energética do país. “Os nossos acionistas não poupam em esforços para que sejamos os melhores em todas as frentes. O ano passado encomendamos um estudo sobre a importância dos data centers no país. Este projeto implica a construção de uma infraestrutura que é para durar”, referiu.

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