Iniciativa Liberal critica gasto elevado com estudo para descarbonizar Porto do Funchal

A Iniciativa Liberal critica os 1,2 milhões de euros que serão gastos só no estudo para a descarbonização do Porto do Funchal, quando por exemplo o porto de Narvik, na Noruega, vai gastar um pouco acima de um milhão de euros para completar todo o processo de eletrificação do porto (estudos, projetos, construção).

Iniciativa Liberal critica gasto elevado com estudo para descarbonizar Porto do Funchal
Porto do Funchal (foto: APRAM - Portos da Madeira)

A Iniciativa Liberal criticou os 1,2 milhões de euros que estão previsto para o estudo que visa descarbonizar o Porto do Funchal.

O coordenador da Iniciativa Liberal Madeira, Nuno Morna, refere-se ao programa 21-PT-TG-GREEN PORTS MADEIRA, num total de 1,2 milhões de euros, 580 mil euros de apoio comunitário e 602 mil euros suportados pela Região Autónoma da Madeira.

“Prevê a Administração dos Portos da região Autónoma da Madeira (APRAM), sem ter concluído nenhum estudo, criar três postos de abastecimento nos cais 1, 2 e 6. Relevamos a nota de que o cais 1 é aquele onde está a rampa RO-RO que, por enquanto, só serve o Lobo Marinho, o que também nos leva a estranhar a não aplicação do mesmo princípio no Porto Santo, quando o navio lá acosta. A APRAM que não considera o prolongamento dos 400 metros do Porto do Funchal? Ou os navios que aí atracarem continuarão a ser fontes poluentes? O cais 3, onde ficam os navios maiores, não terá posto de abastecimento? Em relação ao porto do Caniçal,  onde os navios ficam um maior período de tempo acostados, a sua maior idade e a utilização de combustíveis mais poluentes, é incompreensível, e estranho, que nada esteja previsto”, disse Nuno Morna.

O dirigente partidário reforça que estes 1,2 milhões de euros são para estudar o modo como se deve executar fornecimento de energia elétrica aos navios a partir da parte terra.

“E o bendito cais 8? E precisam de 1,2 milhões para estudar se já sabem isto? Para estudar o quê? Se é um estudo de exequibilidade, é para determinar se é possível. Se é para definir o como, é um projeto, não é um estudo. 1,2 milhões para executar estudos? As datas indicadas para que o projeto seja implementado é a de 2030”, disse Nuno Morna.

O coordenador regional da Iniciativa Liberal deu como exemplo o Porto de Narvik, na Noruega, que anunciou, em 2022, que ia dar início ao processo de descarbonização e que previa a sua conclusão para 2024.

“Dois anos para passar da ideia à sua efetivação. Estudos, projetos, construção. A data de 2030 foi a que o Governo da República deu para o processo estar concluído em todo o país. Por cá toca de aproveitar. Se fosse 2099, certamente seria essa a que a APRAM daria como data de conclusão. Voltando a Narvik, o valor do projeto total estará um pouco acima do milhão de euros. Por cá, só o estudo, custará 1,2 milhões de euros. Clarificando, porque há sempre quem não queira perceber, a eletrificação em Narvik custará menos que só o estudo para o mesmo fim no Porto do Funchal”, afirmou Nuno Morna.

O dirigente da força partidária acrescentou que o Porto de Sète, em França, “verá a sua descarbonização “ship-to-shore” ser feita por 2,5 milhões de euros, também com três postos de abastecimento. 1,2 milhões está a APRAM a gastar só com um estudo”.

Nuno Morna lembrou que em agosto de 2022 já a Iniciativa Liberal perguntava quem iria efetuar o estudo, para a descarbonização do Porto do Funchal, e o motivo desse estudo custar tanto dinheiro.

“Não temos nada contra estudos, bem pelo contrário, mas pensamos que devem ser claros e devidamente justificados para que se não fique com a sensação de que se deita dinheiro fora. Passou quase um ano e continuamos sem saber qual o prazo para a efetivação do estudo? Quem o vai, ou está a fazer? Quais os seus pressupostos? Como estão a ser aplicadas as verbas? Estão os prazos a ser cumpridos? Em que sentido correm as conclusões? Integra a Empresa de Eletricidade da Madeira (EEM) o grupo de trabalho que faz o estudo? Estranhamos sempre estes “combates” à poluição, quando os processos tresandam a matéria altamente poluente”, disse o coordenador regional da Iniciativa Liberal.

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